Crime organizado

Lula propõe acordo com EUA contra crime e pede contrapartida

Proposta de Acordo com os EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que levará a Donald Trump uma proposta para uma ação conjunta no combate ao crime organizado, condicionando a colaboração à entrega de brasileiros procurados que residem nos Estados Unidos. Durante sua visita oficial à Índia, Lula expressou sua preocupação em relação a novas tarifas impostas pela Casa Branca e afirmou que o Brasil não aceitará um papel de subordinação em meio a uma possível "nova Guerra Fria".

Os dois líderes têm uma reunião bilateral agendada para março nos EUA. Lula pretende apresentar a Trump um plano para prender brasileiros envolvidos com atividades criminosas que operam nos Estados Unidos. Recentemente, Trump tem intensificado seu foco no combate ao crime, justificando intervenções em países como a Venezuela.

Entretanto, Lula deixou claro que a cooperação dependerá da entrega de foragidos brasileiros que vivem na Flórida. "Se o governo americano está disposto a combater o narcotráfico, estaremos na linha de frente, mas que nos enviem os bandidos brasileiros que vivem em mansões em Miami", afirmou.

Ele mencionou um caso específico de um "morador de Miami" procurado pela Justiça brasileira, enfatizando que já enviou informações e uma fotografia da residência desse indivíduo a Trump, solicitando sua extradição.

Rejeição à Nova Guerra Fria

Lula também destacou a importância de reativar a agenda de comércio e investimentos entre os dois países. "Não queremos uma nova Guerra Fria. Desejamos relações iguais com todos os países", reiterou, ao falar com repórteres em Nova Délhi.

Recentemente, Trump elevou as tarifas de importação para 15% e sinalizou que não recuará de sua ofensiva comercial, mesmo diante de decisões contrárias da Suprema Corte dos EUA.

"Falarei de comércio, de parcerias universitárias e também sobre o investimento americano no Brasil, que já não existe há muito tempo", acrescentou Lula.

Após sua visita à Índia, Lula embarcou com destino à Coreia do Sul, onde se reunirá com Lee em uma visita oficial que irá até terça-feira. Durante sua estadia na Índia, ele assinou um acordo estratégico com o primeiro-ministro Narendra Modi para investimentos e cooperação na exploração de minerais críticos.

O acordo visa garantir o suprimento de terras raras, lítio e nióbio, dos quais o Brasil detém 90% das reservas mundiais, buscando proteger a soberania tecnológica dos dois países frente à hegemonia da China e às pressões de Washington.

Lula enfatizou que o Brasil não aceitará ser tratado como uma "colônia tecnológica" e destacou sua relação com a Índia como uma "política de iguais", em contraste com o autoritarismo de potências que tentam impor condições unilaterais. "Não permitiremos que nossos minerais críticos sejam explorados como no passado", concluiu.


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