Lula diz que cobrou explicações de Lulinha sobre suposto envolvimento na crise do INSS
Lula cobra explicações de Lulinha sobre suposta ligação com crise do INSS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) revelou, nesta quinta-feira (5), que pediu esclarecimentos ao seu filho, o empresário Fábio Luís, conhecido como “Lulinha”. O motivo são as investigações da Polícia Federal que o apontam como um possível sócio oculto do empresário Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, que é suspeito de liderar um esquema de desvio de verbas de aposentados e pensionistas por meio de descontos indevidos.
Embora Lulinha não esteja sendo investigado diretamente, sua conexão com a empresária Roberta Luchsinger – que estaria envolvida em negócios de cannabis medicinal e tentava firmar contratos com o governo federal – levantou suspeitas.
“Convoquei meu filho aqui no Palácio do Planalto e, olhando nos olhos dele, afirmei: ‘só você sabe a verdade’. Se houver algo, você arcará com as consequências. Se não, defenda-se. É assim que trato as coisas, com seriedade”, declarou o presidente em entrevista ao UOL, sem detalhar as respostas do filho.
Lula comparou as alegações contra Lulinha com as acusações que enfrentou durante sua prisão em 2018, na Operação Lava Jato. Ele reafirmou que foi vítima de injustiças e que, apesar de ter recebido propostas para deixar o país, optou por permanecer e lutar na Justiça para provar sua inocência. Anos depois, as condenações foram anuladas, permitindo que recuperasse seus direitos políticos para concorrer ao terceiro mandato.
“Quando decidi ficar e ir à Polícia Federal para cumprir pena, foi para desmascarar o que me foi feito. Acredito que, em 50 ou 60 anos, parte da imprensa brasileira terá coragem de pedir desculpas pelas mentiras que contaram e pelo endeusamento de algumas figuras que hoje não têm valor”, disparou Lula.
O presidente enfatizou que o processo que enfrentou foi uma “falcatrua”, o que levou o Supremo Tribunal Federal (STF) a anulá-lo e a determinar investigações sobre a 13ª Vara Federal de Curitiba, onde estavam as ações da Lava Jato.
Lula também afirmou que "não tem dó e nem piedade" e que todos que trabalham com ele conhecem sua forma de agir. "A única maneira de não ser incomodado é fazer as coisas corretamente", destacou.
A oposição acusa a base governista de tentar proteger Lulinha das investigações da CPMI, onde há pedidos para que ele seja convocado a depor. A defesa do empresário nega qualquer irregularidade e considera as menções a ele como "ilações" políticas.
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