Litigante profissional Bottura tem prisão decretada também pelo Uruguai
Luiz Eduardo Auricchio Bottura, conhecido por sua atuação como litigante profissional, já está sob prisão preventiva na Itália e agora também enfrenta um pedido de prisão emitido pela Justiça do Uruguai. Ele é acusado de estelionato e lavagem de dinheiro.
Bottura e sua esposa, Raquel Fernanda de Oliveira, são alvos de investigações por parte das autoridades uruguaias, que os acusam de envolvimento em um esquema criminoso voltado para fraudes processuais e falsificações. Bottura é considerado pela Justiça brasileira como o líder de uma organização criminosa.
Em julho, a Interpol uruguaia solicitou informações sobre o casal à Interpol brasileira. Raquel é acusada de integrar o esquema e de usar seu nome para atos fraudulentos. Ela foi presa preventivamente em dezembro de 2024. Enquanto isso, Bottura fugiu do Brasil, mas foi capturado na Itália em abril, em decorrência de um mandado de prisão da Interpol.
Atualmente, ele enfrenta um processo de extradição e tenta renunciar à cidadania brasileira junto ao Ministério da Justiça. Desde sua prisão, Bottura teve a preventiva convertida em prisão domiciliar e reside em um condomínio de luxo.
Com aproximadamente 300 condenações por litigância de má-fé, Bottura utiliza diversas brechas do sistema judiciário para intimidar adversários. Ele frequentemente indica endereços errados de suas vítimas para causar falsas revelias e, em suas ações como réu, busca escapar da lei penal.
Uma de suas táticas inclui processar juízes para forçá-los a se declarar impedidos de julgá-lo. Bottura já processou figuras influentes, como o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo e o presidente da Associação Paulista de Magistrados.
Em 2009, uma reportagem revelou que Bottura havia estabelecido uma "indústria de processos" em Anaurilândia, onde um quarto dos casos no Juizado Especial era de sua autoria. Ele já foi preso por falsificação de documentos, em um caso em que se passou por advogado da ex-esposa.
Em 2010, Bottura e suas empresas enfrentavam mais de 700 processos e múltiplos inquéritos por crimes contra o consumidor. Ele ficou conhecido por enviar boletos a consumidores que nunca haviam contratado seus serviços.
Em 2013, Bottura tentou censurar reportagens que expunham suas práticas, movendo ações contra diversos veículos de comunicação. No ano seguinte, ele se lançou como pré-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul.
Em 2021, Bottura obteve uma "doação" de R$ 7 milhões de uma vítima, manipulando-a com a ajuda de sua mãe, que era psicóloga da vítima. Em 2022, foi alvo de uma investigação que resultou na apreensão de veículos e documentos, mas não foi encontrado.
A investigação apontou que Bottura teria induzido a Justiça em cerca de três mil ações infundadas, utilizando documentos falsos. Em 2023, ele foi condenado à pena de dois anos e quatro meses de reclusão, mas ainda tentava atrasar o cumprimento da pena com embargos de declarações intempestivos.
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