Liquidações dos bancos Master, Will Bank e Pleno devem deixar rombo de R$ 51,8 bilhões no FGC
A liquidação extrajudicial do Banco Pleno, decretada pelo Banco Central nesta quarta-feira, adicionou R$ 4,9 bilhões às estimativas de rombo no Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
O FGC deve desembolsar aproximadamente R$ 51,8 bilhões para compensar clientes e investidores impactados pelas liquidações dos bancos Master, Will Bank e Pleno. Esse montante é baseado nas projeções do próprio fundo.
Essa entidade privada, sem fins lucrativos, faz parte do Sistema Financeiro Nacional, com o objetivo de garantir a estabilidade do setor, prevenir crises bancárias e proteger depositantes e investidores.
O FGC funciona como um seguro para os recursos depositados em instituições financeiras que enfrentam dificuldades. No caso do Banco Master, o fundo estima que serão pagos R$ 40,6 bilhões em garantias.
Para o Will Bank, cuja lista de credores ainda está em andamento, a previsão é de R$ 6,3 bilhões. Esse valor poderá ser alterado com o fechamento da lista.
Com a liquidação do Banco Pleno, as garantias a serem pagas a seus credores devem totalizar R$ 4,9 bilhões.
Além do Banco Pleno, anteriormente conhecido como Banco Voiter, e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., pelo menos sete entidades ligadas ao Banco Master já tiveram a liquidação decretada.
A liquidação extrajudicial ocorre quando o Banco Central encerra as operações de uma instituição incapaz de continuar funcionando. Um liquidante assume o controle, encerrando atividades, vendendo bens e pagando credores conforme a legislação.
Tanto o Banco Pleno quanto a Pleno DTVM faziam parte do grupo do Banco Master até o segundo semestre do ano passado, quando foram adquiridos pelo empresário Augusto Lima.
O Banco Central informou que a liquidação do Banco Pleno foi determinada após o agravamento de sua situação econômica, que o impediu de cumprir obrigações diárias e o levou a descumprir normas regulatórias.
Não há dados públicos sobre o número exato de correntistas ou investidores do banco, mas a estimativa do FGC indica que cerca de 160 mil clientes têm direito a receber garantias.
Após a decretação da liquidação, o Banco Central nomeia um liquidante responsável, com o apoio do FGC. O liquidante deve enviar ao fundo uma lista dos beneficiários e os valores devidos, processo que pode variar em tempo.
Após a consolidação da lista, o FGC notifica os credores que o sistema está disponível para solicitação da garantia. O credor precisa se manifestar, pois o pagamento não é automático. Isso significa que quem não solicitar não receberá os valores.
As pessoas físicas devem realizar a solicitação pelo aplicativo do FGC, enquanto as jurídicas devem acessar o site do fundo.
Após o cadastro, o credor visualiza o valor a receber e assina digitalmente o termo de solicitação. O FGC efetiva o pagamento em até 48 horas úteis, desde que todos os dados estejam corretos.
Valores que excedem o limite de cobertura do FGC, que é de R$ 250 mil, estão sujeitos ao processo de liquidação do Will Bank. Nesses casos, o credor se torna quirografário na massa falida, sem garantia de recebimento dos valores excedentes.
← Voltar para as notícias