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Linguagem simples: falar difícil nunca foi sinônimo de falar bem

Vagner Araújo
Secretário Municipal de Planejamento de Natal/RN

Durante muitos anos, acreditei que usar palavras difíceis e frases complexas me tornaria mais relevante. Sentia que isso me conferia autoridade e profundidade. Contudo, percebi que, na verdade, o que conseguia era confundir as pessoas. Como locutor de rádio, frequentemente ouvia comentários de ouvintes que diziam: “Você falou bonito, mas algumas palavras eu não entendi.” Foi nesse momento que entendi que comunicação que não é compreendida é apenas barulho.

A partir desse ponto, busquei simplificar minha comunicação, tornando-a acessível a todos. Comecei a criticar o uso excessivo de linguagens complicadas, que muitas vezes servem apenas para demonstrar poder, em vez de informar.

Essa mudança de perspectiva ocorreu quando um amigo, que trabalha na área de comunicação, me ensinou que o verdadeiro segredo está na simplicidade. Não se trata de simplificar de forma irresponsável, mas de ser claro e acessível.

É encorajador saber que um movimento inicialmente surgido nos meios judiciais, onde a linguagem é frequentemente inacessível, agora se tornou uma política pública. Isso começou com normas do Conselho Nacional de Justiça e se consolidou com a Lei nº 15.263, de 14 de novembro de 2025, que estabelece a Política Nacional da Linguagem Simples, tornando seu uso obrigatório em todos os órgãos públicos.

Essa lei representa um avanço significativo. Reconhece um direito fundamental: o cidadão precisa entender o que o Estado comunica. A linguagem simples é uma questão de cidadania, transparência e respeito.

Entretanto, a verdadeira mudança começa agora. A adoção da linguagem simples enfrenta resistências. Existe um apego ao juridiquês e a termos técnicos que, muitas vezes, criam barreiras entre os que “sabem” e os que apenas deveriam compreender.

Uma dica útil para aqueles que desejam mudar: ao se comunicar, imagine que você está falando com uma pessoa comum, talvez mais velha e sem familiaridade com jargões. Se essa pessoa entender, você está no caminho certo. Isso é, de fato, linguagem simples.

No serviço público, comunicar de forma clara não é um favor, mas uma obrigação. A nova lei aponta essa direção. Agora, gestores e comunicadores devem deixar de lado a prática de complicar a linguagem e assumir o compromisso de se expressar de maneira clara. Falar simples não diminui ninguém; pelo contrário, aproxima as pessoas, esclarece e fortalece a democracia.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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