Ligado ao Master, Credcesta chegou a 2,7 mi de contratos de consignado e tem padrão de falhas, aponta INSS
Crescimento Exponencial do Credcesta e Problemas Identificados pelo INSS
Documentos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) revelam um aumento expressivo nos contratos de crédito consignado do Banco Master, que eram oferecidos pelo Credcesta. Este cartão, especializado nesse tipo de crédito, já estava presente em vários estados e municípios antes de ser adotado a nível federal.
Os dados indicam que os contratos saltaram de 104,8 mil em 2022 para 2,75 milhões em 2024, representando um crescimento de mais de 2.500% em apenas dois anos.
As informações foram coletadas pela Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social), e o INSS está investigando a regularidade dessas contratações.
Os registros mostram um padrão de "desconformidades" nas operações de crédito associadas ao Credcesta, o que aumenta o risco para os beneficiários e sugere a necessidade de uma "intervenção preventiva" até que a apuração sobre os contratos seja finalizada.
Embora os dados não especifiquem se os contratos abrangem servidores e aposentados em níveis federal, estadual ou municipal, especialistas afirmam que o INSS não tem acesso às bases de dados desses entes federativos.
O ex-executivo do Master, Augusto Lima, foi fundamental na expansão do Credcesta, que se beneficiou de conexões políticas e empresariais.
Apesar do crescimento, dois executivos do setor, que pediram anonimato, afirmam que a participação do Master no mercado de consignados do INSS foi modesta. Sem uma rede de agências e dependendo de correspondentes bancários, o banco não tinha força para competir com as grandes instituições.
Os números do INSS indicam que o Master encerrou 2025 com 324.849 contratos ativos de crédito consignado, mas não foi possível especificar o valor total dos descontos, que varia conforme os contratos.
O INSS esclareceu que não trabalha com o Credcesta e não explicou a discrepância nos números de contratos ao longo dos anos.
A Dataprev forneceu dados que foram utilizados pela Divisão de Consignação em Benefícios do INSS. Para maior clareza, novos dados foram solicitados à Dataprev.
A situação do Credcesta agora é gerida pelos liquidantes do Master. O Banco Pleno, antigo Voiter, também abriga o Credcesta, focando em estados e municípios.
Em nota, o Pleno afirmou que os assuntos relativos ao Master durante o período em questão estão sob responsabilidade do liquidante da instituição.
O Banco Central, que conduz a liquidação do Master, não respondeu aos questionamentos sobre o tema.
O INSS permite três modalidades de crédito que podem ser descontadas das aposentadorias: o empréstimo consignado tradicional, o cartão de crédito consignado e o benefício consignado, introduzido pelo Credcesta em 2018.
O modelo foi inicialmente firmado com o governo da Bahia, sob a gestão de Rui Costa (PT), e se expandiu para o nível federal em 2022 durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).
Entre 2020 e 2025, o Master operou em todas as linhas de consignados do INSS. Contudo, quando surgiram denúncias de fraudes, foi um dos primeiros bancos a ter seu registro suspenso.
Daniel Vorcaro e Augusto Lima foram presos em novembro pela Polícia Federal durante uma investigação sobre fraudes envolvendo a venda de carteiras de crédito. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Master.
O INSS identificou um "ponto de atenção" nas operações do Credcesta, ressaltando um aumento significativo no número de contratos em dois anos. A falta de clareza sobre a conformidade com normas regulatórias e a efetividade de benefícios adicionais, como seguro de vida, também foram destacadas.
Entre 2020 e 2024, houve 3.378 reclamações de beneficiários contra o Master, indicando falhas estruturais na operação.
O Ministério Público Federal recomendou priorizar o pagamento de recursos a aposentados e pensionistas que sofreram descontos indevidos em crédito consignado. Um inquérito civil público investiga as supostas fraudes nesse setor.
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