Líderes partidários e indústria articulam freio à votação do fim da escala 6x1 em ano eleitoral
Articulações para Adiar Votação de Proposta de Trabalho
Lideranças partidárias e representantes do setor industrial intensificaram, nesta segunda-feira (23), suas articulações em São Paulo (SP) para postergar a tramitação da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6 por 1 no Congresso Nacional.
A avaliação entre os dirigentes políticos é que, caso o texto seja levado ao Plenário ainda este ano, há uma alta probabilidade de aprovação, impulsionada pelo apelo popular em um ambiente pré-eleitoral.
Em um jantar com empresários na capital paulista, o presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, e o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, defenderam uma estratégia para conter o avanço da proposta, priorizando sua permanência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.
Em outro evento na cidade, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Paulo Skaf, ressaltou que a discussão não deveria ocorrer em ano eleitoral, argumentando que o ambiente político pode prejudicar o debate técnico.
Nos bastidores, parlamentares reconhecem que a votação em Plenário poderia expor deputados e senadores a custos políticos, especialmente aqueles que buscam reeleição.
Participantes do encontro relataram que a resistência aberta à redução da jornada semanal pode gerar desgaste entre os eleitores, especialmente entre trabalhadores do comércio e dos serviços, setores onde a escala 6 por 1 é amplamente aplicada.
Por isso, a estratégia em discussão busca retardar a tramitação por meio de debates técnicos, pedidos de vista e a construção de maiorias nas comissões.
Dirigentes partidários afirmam que, embora a proposta seja socialmente sensível, pode gerar efeitos econômicos negativos. Entre as preocupações estão o aumento dos custos operacionais, possíveis impactos sobre a inflação e os reflexos na geração de empregos. A avaliação apresentada aos empresários é que mudanças abruptas na legislação trabalhista exigem uma transição gradual e estudos de impacto.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem defendido publicamente a revisão da jornada de trabalho, alinhando-se a setores sindicais e parlamentares que consideram o modelo atual excessivamente exaustivo.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sinalizou que dará prioridade à proposta e deve indicar o relator da PEC na CCJ nos próximos dias. O texto, formalizado na Casa de Leis, prevê a limitação da jornada a 36 horas semanais, com duas folgas consecutivas.
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