Leila deixa liderança da Bancada Feminina com apelo à continuidade das lutas
Leila se despede da liderança da Bancada Feminina com apelo à continuidade das lutas
Da Agência Senado |
08/07/2025, 21h26
A senadora Leila Barros (PDT-DF) deixou sua posição à frente da Bancada Feminina no Senado nesta terça-feira (8), cargo que ocupou desde maio de 2024. Em seu pronunciamento, fez um balanço das principais conquistas do período, agradeceu às colegas senadoras pela colaboração e anunciou que a nova líder será a senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO).
Durante o discurso, Leila expressou sua gratidão às colegas que a acompanharam, ressaltando o compromisso do grupo em superar divergências em prol do bem comum.
— A todas vocês, minhas 15 queridas companheiras, agradeço pelo compromisso, sensibilidade e, acima de tudo, pela força de trabalho. Trabalhamos sempre com muita sororidade, mostrando que é possível construir consensos acima das nossas diferenças partidárias.
A senadora reconheceu a responsabilidade da liderança e afirmou que seu período à frente da bancada foi pautado por "escuta ativa, articulação política e compromisso com as mulheres brasileiras".
— Hoje, venho a esta tribuna com a sensação de dever cumprido. Assumi essa liderança com a consciência de que era uma missão coletiva, histórica e de grande responsabilidade. Posso afirmar, com tranquilidade e satisfação, que foi um tempo de muitas entregas.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) parabenizou Leila pela condução da bancada, destacando o desafio de liderar um grupo plural.
— As pessoas não entendem que somos diversas e pensamos diferente. Não é um clube da Luluzinha. Nos bastidores, brigamos, porque pensamos de maneira diversa, mas tomamos decisões pela maioria. Pela forma como você nos uniu, Leila, quero cumprimentá-la.
Entre os marcos de seu mandato, Leila mencionou a criação do gabinete exclusivo da bancada e a aprovação de diversas leis de impacto social, como:
- Atendimento prioritário às vítimas de violência doméstica nos serviços públicos (Lei 14.887, de 2024)
- Inclusão da história das mulheres nos currículos escolares (Lei 14.986, de 2024)
- Proteção contra crimes digitais baseados em inteligência artificial (Lei 15.123, de 2025)
- Autorização legal para uso de tornozeleiras em agressores (Lei 15.125, de 2025)
— São medidas modernas, firmes e protetoras. Além da dor imediata, a mulher que sofre violência também carrega o peso da insegurança cotidiana. É isso que buscamos transformar.
Outro avanço relevante foi a aprovação do projeto que determina a reserva mínima de 30% de mulheres nos conselhos de administração das estatais, com recortes específicos para mulheres negras e com deficiência (PL 1.246/2021), já encaminhado para sanção presidencial.
Leila também destacou o papel da bancada nas discussões do novo Código Eleitoral (PLP 112/2021), em articulação com o relator, senador Marcelo Castro (MDB-PI), para assegurar justiça e equidade no processo político.
— Defendemos, com firmeza, a manutenção e ampliação dos mecanismos de incentivo à participação feminina na política: cotas de candidaturas e vagas, distribuição proporcional de recursos e combate à violência política de gênero. O novo marco legal precisa refletir o compromisso da democracia com a inclusão.
A senadora lembrou a atuação da bancada em temas como licença menstrual, igualdade salarial, empreendedorismo feminino e combate à violência digital, sempre em diálogo com a sociedade e outros parlamentares. Enfatizou ainda a presença das senadoras em fóruns internacionais, como o G20 Parlamentar (P20) e a reunião de mulheres do BRICS, onde foram debatidos temas como justiça climática, tecnologia e proteção digital.
— Estivemos presentes em todas essas frentes, da legislação à cultura e do ativismo à diplomacia. A liderança da Bancada Feminina é, antes de tudo, uma trincheira de escuta. Por ela, recebemos e traduzimos em proposições as demandas de milhões de brasileiras.
Leila fez cumprimentos especiais às vice-líderes Soraya Thronicke (Podemos-MS) e Teresa Leitão (PT-PE), à procuradora da Mulher no Senado, Zenaide Maia (PSD-RN), ao atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e ao antecessor, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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