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Justiça manda, e ex-base pede R$ 104 milhões do Santos como 'valor simbólico'

Justiça determina que ex-base do Santos cobre R$ 104 milhões

Um ex-jogador da base do Santos, Tairon Trajano, atualizou sua demanda na Justiça, solicitando agora R$ 104.486.542,64 (cento e quatro milhões, quatrocentos e oitenta e seis mil, quinhentos e quarenta e dois reais e sessenta e quatro centavos) do clube. A quantia inicial, que superava os R$ 30 milhões, foi revisada após uma ordem judicial.

A atualização foi necessária, pois a petição inicial não incluía todos os pedidos de Tairon, como lucros cessantes e indenizações relacionadas a cláusulas contratuais específicas, além de danos morais, estéticos, físicos e materiais.

Classificando o montante como "um valor simbólico", Tairon alega que só de lucros cessantes ele reivindica R$ 26,4 milhões, argumentando que as lesões o impediram de se tornar um jogador profissional. Ele também pede R$ 5 milhões por danos materiais e R$ 2 milhões por perdas e danos, devido a oportunidades perdidas com outros clubes.

Além disso, ele menciona gastos com preparador físico totalizando R$ 4,1 milhões, um seguro de R$ 10,5 milhões conforme a Lei Pelé, e R$ 15,9 milhões pelo que considera um "rompimento da carreira de atleta". Multas contratuais somam R$ 10,1 milhões, entre outros pedidos.

A atualização dos valores foi determinada pelo juiz Fabricio Stendard, da 3ª Vara Cível de Santo Amaro, São Paulo, que orientou Tairon a corrigir a petição inicial para incluir todos os valores atribuídos aos pedidos.

O ex-jogador também relatou ao Judiciário estar sofrendo ameaças após a divulgação do caso pela ESPN em janeiro, solicitando que a ação seja mantida em segredo de Justiça por questões de segurança. Seus advogados afirmaram que torcedores têm acessado os dados do autor e que ele está enfrentando críticas e ameaças.

O Santos não se manifestou quando procurado pela ESPN. O processo, que foi aberto em 2023, narra a trajetória de Tairon no clube, que começou em 2018, quando ele tinha apenas 13 anos e se destacou na Copa Ouro, onde foi artilheiro.

Ele sofreu uma grave lesão no joelho durante os treinamentos, o que resultou em uma cirurgia. Após recuperar-se, assinou um contrato com o clube, mas logo enfrentou novas lesões, necessitando de mais operações.

Em 2023, Tairon foi dispensado, alegando que as lesões permanentes resultaram em prejuízos significativos para sua vida. Ele também destacou que, aos 13 anos, recebia R$ 4 mil mensais, o que era classificado como "bolsa atleta" e "auxílio moradia". O ex-jogador criticou o contrato, mencionando cláusulas desleais que impunham multas apenas a ele e não ao clube.

Além disso, Tairon relatou despesas médicas e com fisioterapia ao longo dos anos para tratar de suas lesões e afirmou ter sido rejeitado por outros clubes devido a cicatrizes visíveis e informações discriminatórias fornecidas pelo Santos.


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