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Justiça condena Itaú e PicPay a ressarcir idosos vítimas de golpe milionário

Justiça condena Itaú e PicPay a ressarcir idosos vítimas de golpe milionário

28/02/2026 08h30

Atualizado 13 horas atrás

Decisões recentes da Justiça destacam a responsabilidade de instituições financeiras em fraudes direcionadas a idosos. O Itaú Unibanco e o PicPay foram condenados a ressarcir clientes que perderam mais de R$ 1,1 milhão em um golpe.

Nos autos do processo, uma das vítimas relatou ter recebido uma ligação de um homem que se apresentou como representante da Febraban (Federação Brasileira de Bancos). Para tornar a conversa mais convincente, o golpista citou informações específicas: número de telefone, agência do Itaú onde a cliente mantinha conta e o nome do gerente.

Ele informou que estava investigando uma suposta fraude na agência e alertou sobre um resgate indevido de R$ 200 mil em CDB. Ao acessarem suas contas, os clientes verificaram que o valor realmente havia sido movimentado, o que reforçou a credibilidade da comunicação.

Na sequência, o criminoso orientou a vítima a abrir uma conta no PicPay, alegando que seria uma medida de proteção temporária. Em menos de 24 horas, aplicações como CDBs e títulos públicos foram liquidadas.

Os recursos foram transferidos em sequência, totalizando mais de R$ 1,1 milhão, e depois distribuídos em contas de outras instituições financeiras, dificultando a rastreabilidade.

A juíza responsável pelo caso concluiu que houve falha na prestação do serviço. A sentença destacou que dados bancários confidenciais foram usados na abordagem fraudulenta e que as movimentações divergiam do padrão histórico dos clientes, que eram correntistas há décadas.

Apesar disso, não houve bloqueio preventivo das operações. A magistrada ressaltou que os fraudadores demonstraram um conhecimento detalhado sobre as aplicações e valores dos autores.

Com base no Código de Defesa do Consumidor, o Judiciário aplicou o entendimento de responsabilidade objetiva das instituições financeiras, ou seja, a obrigação de reparar o dano não depende da comprovação de culpa direta. Itaú e PicPay foram condenados a restituir integralmente o valor perdido.

Em situações semelhantes, decisões judiciais têm reconhecido o impacto emocional sobre vítimas idosas, permitindo indenizações adicionais.

As instituições costumam afirmar que utilizam sistemas de monitoramento contínuo e múltiplas camadas de proteção. No entanto, o Judiciário tem enfatizado que os mecanismos de segurança devem ser eficazes para identificar operações que claramente não se enquadram no perfil do cliente.

Para os consumidores, o alerta é claro: bancos não pedem transferências para “contas de segurança” e não solicitam senhas ou códigos por telefone. Em caso de abordagens inesperadas, é prudente interromper o contato e buscar atendimento pelos canais oficiais.

Se houver prejuízo, é essencial registrar uma ocorrência e comunicar imediatamente a instituição para tentar mitigar danos.


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