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Justiça bloqueia ações do BRB ligadas a Banco Master

Justiça determina bloqueio de ações do BRB relacionadas ao Banco Master

26/02/2026 23h12
Atualizado 53 minutos atrás

A Justiça do Distrito Federal emitiu uma ordem para bloquear e arrestar ações do Banco de Brasília (BRB) que pertencem a indivíduos investigados na Operação Compliance Zero. Esta operação investiga irregularidades associadas ao Banco Master.

A decisão, de caráter liminar, foi tomada pela 13ª Vara Cível do DF após solicitação do próprio BRB. O bloqueio abrange participações acionárias estimadas em aproximadamente R$ 376,4 milhões, impedindo a venda dos ativos.

A ministra Gleisi Hoffmann afirmou que a responsabilidade de apresentar uma solução para o déficit do BRB é do governador Ibaneis Rocha, e não da União.

Embora os detalhes do processo sejam mantidos em sigilo, o BRB divulgou um fato relevante informando sobre o pedido de bloqueio nesta noite.

As ações afetadas incluem aquelas de pessoas físicas e fundos de investimento, como Deneb Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, Borneo Fundo de Investimento, Siracusa Fundo de Investimento, Delta Fundo de Investimento, Asterope Fundo de Investimento, além de empresas como Blue Solutions Asset Management e Casamata Administração e Participações.

De acordo com o Portal Metrópoles, o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master; o ex-sócio Maurício Quadrado; o investidor Nelson Tanure; e o fundador da Reag, João Carlos Mansur, se tornaram acionistas do BRB ao adquirirem ações através de intermediários considerados “laranjas”. Com essas aquisições, o grupo Master/Reag passou a controlar cerca de 25% do capital do banco público.

Ressarcimento e investigação interna

No comunicado divulgado na data de hoje, o BRB informou que protocolou uma tutela cautelar com pedido liminar para o bloqueio e arresto das participações societárias dos réus no capital do BRB.

A medida visa facilitar o futuro ressarcimento de perdas incorridas pela instituição devido a operações que envolvem o Banco Master, atualmente em liquidação extrajudicial.

O BRB alegou no processo que os empresários investigados ingressaram no capital social de forma ilegal.

A instituição também notificou que enviou um relatório preliminar da investigação interna à Polícia Federal. A apuração é conduzida pelo escritório Machado Meyer, com o suporte da consultoria Kroll.

O BRB está sob investigação por ter adquirido mais de R$ 12 bilhões em carteiras do Banco Master, com indícios de fraude. A estimativa inicial de prejuízo é de pelo menos R$ 5 bilhões, porém o valor exato deverá ser divulgado no balanço previsto para março.

Em novembro de 2025, a Polícia Federal lançou a Operação Compliance Zero. O então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado pela Justiça e posteriormente demitido.

Em 3 de setembro de 2025, o Banco Central (BC) rejeitou oficialmente a compra do Banco Master pelo BRB, após mais de cinco meses de análise. A operação previa a aquisição de 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e 58% do capital total do Master.

O negócio, anunciado em março daquele ano, enfrentou resistência no mercado devido ao modelo de captação considerado arriscado e à qualidade questionável de parte dos ativos da instituição.

O Ministério Público Federal havia recomendado ao BRB que comprovasse a integridade e a veracidade dos ativos antes de qualquer aquisição, alertando sobre possíveis passivos ocultos e ativos inflacionados.

Com a rejeição do Banco Central e a continuação das investigações, o BRB busca restaurar sua liquidez e índices de capitalização, enquanto tenta garantir um eventual ressarcimento judicial das perdas.


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