Juros e renda devem nortear varejo em 2026, segundo UBS BB; veja ações favoritas
Juros e renda devem definir o varejo em 2026, aponta UBS BB
25/02/2026 16h59
Analistas do UBS BB projetam que o cenário do varejo brasileiro em 2026 será moldado por uma transição entre a política monetária e a resiliência do consumo, conforme relatado em um estudo recente.
Os especialistas identificaram os principais fatores que influenciarão os lucros e avaliações de mercado no próximo ano, ressaltando que a seletividade será essencial para os investidores. O banco destaca ações como Smart Fit (SMFT3), RD Saúde (RADL3), Alpargatas (ALPA4) e C&A (CEAB3).
“Nossa análise indica que, apesar de o mercado já antecipar o início deste ciclo de juros, os preços das ações ainda não refletem completamente a magnitude dos cortes esperados”, afirmam os analistas.
Os 10 principais temas para o setor em 2026
O UBS BB apresentou, em relatório divulgado nesta quarta-feira (25), os principais aspectos que podem influenciar as decisões de investimento no ano, focando na evolução do cenário do consumidor e suas consequências para os lucros:
1. Renda disponível: A massa salarial deve alcançar R$ 4,2 trilhões, com crescimento nominal projetado em 10%. Benefícios sociais de R$ 277 bilhões e a nova isenção do IR para rendimentos até R$ 5 mil (impacto de R$ 28 bilhões) devem sustentar o consumo, embora de forma limitada.
2. Endividamento e crédito: A dívida das famílias continua elevada, entre 47% e 49% da renda. O serviço da dívida consome 29% do orçamento mensal, levando os consumidores a optarem por modalidades mais caras, como o cartão de crédito.
3. Ciclo de queda dos juros: O banco acredita que o mercado ainda não precificou a totalidade dos cortes esperados. Historicamente, o varejo tende a superar o Ibovespa em 38,1 pontos percentuais durante ciclos de afrouxamento.
4. Perspectivas para a inflação: O cenário atual é favorável, devido à deflação de alimentos, beneficiando as classes mais baixas. Contudo, há riscos de aceleração no segundo semestre de 2026, influenciados por condições de oferta e o ciclo pecuário.
5. Mercado de trabalho: O desemprego está em sua mínima histórica de 5,2%, gerando escassez de mão de obra. O novo salário mínimo de R$ 1.621 (+6,8%) apoia o poder de compra, mas também eleva custos operacionais.
6. Democratização do GLP-1: O mercado de medicamentos para perda de peso deve dobrar, alcançando R$ 20 bilhões. O fim da patente da Semaglutida em março de 2026 é um grande impulsionador.
7. Migração online: O comércio eletrônico deve atingir R$ 423 bilhões (+21%). O Mercado Livre lidera com 43% de participação, seguido por Shopee e Amazon, enquanto a Magalu perde espaço.
8. Tributação internacional: O imposto de 20% sobre compras abaixo de US$ 50 aumentou o ticket médio dos pacotes para R$ 96, indicando adaptação do consumidor às novas taxas.
9. Confiança e eleições: O Índice de Confiança do Consumidor tende a oscilar durante campanhas, mas apresenta recuperação nos meses de novembro e dezembro pós-eleição.
10. Fatores externos e sazonais: A Copa do Mundo atua como catalisador de vendas, enquanto o banco observa riscos estruturais relacionados a mudanças na escala de trabalho 6×1.
No topo das recomendações, a Smart Fit destaca-se com uma projeção de crescimento de 30% no lucro por ação. Os analistas do UBS BB veem uma valorização de 14 vezes o Preço sobre Lucro (P/L) para 2026, considerado razoável em relação às vantagens competitivas da rede. A análise é sustentada por “economias de escala, efeitos de rede e custos de substituição”.
Além da marca principal, a robustez da plataforma TotalPass é citada como um diferencial estrutural que amplia o ecossistema da empresa. Para o banco, a rede de academias combina crescimento robusto com estrutura de custos otimizada, tornando-a uma opção resiliente para enfrentar as variações macroeconômicas de 2026.
A Raia Drogasil é vista como uma escolha estratégica para capturar o potencial do mercado de GLP-1. Negociada com um prêmio de 23 vezes o lucro para 2026, o banco projeta resultados 11% acima do consenso do mercado. Os especialistas acreditam que o forte desempenho de lucros e o crescimento do lucro por ação, estimado em 21%, justificam a valorização mais elevada.
A Alpargatas é apontada como um ativo com alto potencial de valorização, com lucros projetados cerca de 22% acima do esperado pelo mercado. A fabricante das Havaianas deve se beneficiar da queda nos custos das commodities, permitindo uma recuperação acelerada das margens operacionais. O banco estima um rendimento de dividendos de aproximadamente 8% para o período.
Por fim, a C&A representa o que os analistas descrevem como “retorno assimétrico”. A varejista de moda é negociada a apenas 7 vezes o lucro projetado para 2026, representando um desconto significativo em relação aos seus pares e ao seu histórico. O banco elogia a qualidade de seus resultados recentes e a forte geração de caixa livre.
Apesar de um momento mais fraco no curto prazo, o UBS BB defende que o balanço patrimonial saudável da companhia oferece segurança para o investidor. A expectativa é que o mercado ainda não tenha reconhecido a eficiência operacional alcançada pela rede, criando uma oportunidade para investidores focados em valor e recuperação de múltiplos.
Veja as recomendações do UBS BB para o setor de varejo:
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