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Juros altos são ruins para renda fixa? Entenda o que pensa gestor da Sparta

Juros altos e renda fixa: a visão de Ulisses Nehmi, CEO da Sparta Capital

26/02/2026 20h01

Atualizado há 2 minutos

O cenário da renda fixa no Brasil apresenta desafios que chamam a atenção de gestores e investidores. Com spreads de crédito em níveis historicamente baixos, o ambiente atual exige cautela e atenção à liquidez, conforme aponta Ulisses Nehmi, CEO da Sparta Capital. Ele afirma: “Não sabemos o que nos aguarda, mas acreditamos que, em algum momento, haverá uma normalização, o que provavelmente resultará em ajustes nos spreads de crédito.”

Nehmi questiona a ideia de que juros altos são sempre favoráveis para quem atua nesse segmento. Ele menciona que muitos acreditam que ele, como gestor de renda fixa, deve ser a favor de taxas elevadas, mas sua resposta é contrária: “Se você conhecesse meu trabalho, perceberia que estou ansioso para que os juros comecem a cair.”

Para ele, um cenário de taxas em queda é ideal, pois mais projetos se tornam viáveis e as empresas competem pelo capital do investidor, em vez de apenas buscar qualquer fonte de liquidez.

O gestor fez essas declarações durante o programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo.

Oportunidades no cenário atual

Embora o cenário atual não elimine oportunidades, Nehmi faz uma distinção crucial: “O principal risco no crédito high grade não é o crédito em si, mas a liquidez. Quando a liquidez penaliza os preços dos ativos, isso gera um efeito manada. Para o amador, liquidez é um risco; para o profissional, é uma oportunidade.”

A Sparta tem adotado uma postura mais conservadora, esperando por momentos em que vendedores forçados criem oportunidades de compra em ativos de qualidade.

A demanda por renda fixa no Brasil

Nehmi observa que a busca por renda fixa — não necessariamente por crédito — cresceu no Brasil, impulsionada por juros altos e benefícios fiscais, como a isenção de impostos sobre debêntures incentivadas. “Com uma taxa de juros de 15%, a isenção fiscal pode oferecer uma vantagem de 2 a 3 pontos percentuais. É muito atraente”, comenta.

No entanto, ele alerta que o mercado brasileiro ainda carece de ferramentas, como posições vendidas em crédito, o que pode tornar os spreads voláteis em certas situações. “No Brasil, você basicamente só pode ficar comprado. É isso.”

O gestor destaca uma discrepância entre a dinâmica de demanda e os fundamentos de risco: enquanto há uma forte procura por renda fixa que reduz os prêmios de crédito, juros altos encarecem a dívida das empresas, afetando suas métricas. “Com taxas de juros elevadas, você deveria ter prêmios maiores para justificar o risco. No entanto, o oposto está ocorrendo.”

No podcast, Nehmi compartilhou a trajetória da Sparta Capital, uma gestora familiar criada por seu pai há mais de 30 anos, inicialmente focada no agronegócio e, posteriormente, migrando para o setor financeiro.

O futuro da Sparta Capital

Nehmi, que começou sua carreira na mesa proprietária do Santander e ingressou na Sparta em 2007, destaca a evolução da gestora, que atualmente administra R$ 22 bilhões. “Temos 40 pessoas na Sparta, sendo 15 sócios. A gestão deve ser encarada como um negócio sério, não apenas como uma empresa familiar”, enfatiza.

Ele também menciona que a estrutura da empresa busca aumentar a participação dos sócios de forma organizada, com um mecanismo anual de redistribuição. “Todos os anos sou diluído, mas sou diluído feliz”, brinca, ressaltando a filosofia de parceria e meritocracia que fundamenta a gestora.


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