Júlia Leão usa impressão 3D para criar remédios sob medida
Júlia Leão e a Impressão 3D na Medicina
Júlia Leão, uma farmacêutica do Rio Grande do Sul, está transformando a medicina ao empregar a impressão 3D na criação de medicamentos personalizados. Seu objetivo é atender às necessidades de animais, crianças, idosos e pacientes com exigências específicas, através de sua startup, Formula3D.
A trajetória de Júlia começou cedo, quando, aos 10 anos, despertou interesse pela ciência em sua escola em Santa Cruz do Sul. O contato inicial com um livro sobre automedicação a levou a participar de feiras científicas e campanhas de conscientização sobre o descarte correto de medicamentos.
Após ingressar na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) em Farmácia, Júlia se envolveu em projetos de pesquisa, desde a genética da bactéria da tuberculose até o uso de microalgas para tratamento de resíduos. No entanto, foi em um estágio em uma farmácia veterinária que ela identificou a lacuna no mercado de medicamentos para animais, que frequentemente utilizavam adaptações de fármacos humanos.
Com a conclusão da graduação, Júlia ingressou no mestrado em Ciências Farmacêuticas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e se uniu ao grupo Nano3D, que introduziu a impressão 3D na produção de medicamentos no Brasil. Essa tecnologia permite criar medicamentos personalizados a partir de uma formulação em gel, possibilitando a adaptação de doses e formatos sem a necessidade de nova linha de produção.
A Formula3D foi criada com a intenção de implementar essa tecnologia no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, permitindo a produção de medicamentos conforme a demanda dos pacientes. O projeto ainda está em fase piloto, buscando validar o uso prático da inovação.
Além dos desafios técnicos, Júlia também enfrenta barreiras de gênero na ciência, onde reporta experiências de descredibilização por ser mulher. Seu trabalho recebeu reconhecimento internacional ao ser uma das vencedoras do programa 25 Mulheres na Ciência, da 3M, que valoriza iniciativas femininas na área de ciência e tecnologia.
Júlia acredita na importância de traduzir a pesquisa acadêmica em soluções práticas, afirmando que a ciência deve ir além da publicação de artigos. Para ela, o conhecimento se completa quando se transforma em ações concretas, contribuindo para a inovação na medicina.
← Voltar para as notícias