Julgamento de Bolsonaro é “lição para o mundo”, afirma Jandira Feghali
Jandira Feghali destaca julgamento de Bolsonaro como “lição para o mundo”
A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) esteve presente na abertura do julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) que investiga uma tentativa de golpe de Estado, nesta terça-feira (2). Em entrevista, Jandira declarou que o processo representa “uma lição para o mundo”.
A parlamentar criticou o cenário político dos Estados Unidos, afirmando: “Nem justiça eleitoral eles têm. Um condenado pode ser candidato a Presidente. Trump foi condenado, concorria e venceu a eleição, ameaçando o Brasil com apoio de bolsonaristas”.
Jandira enfatizou que todo o procedimento, iniciado com a CPMI do 8 de janeiro, revela o risco de um golpe irreversível no país.
“As instituições brasileiras reagiram, a democracia persistiu, o povo se mobilizou e, pela primeira vez, o estado brasileiro responde efetivamente a uma tentativa de golpe”, comentou.
A deputada acredita que o julgamento no STF influenciará diretamente os trabalhos na Câmara. Ela ressalta a dificuldade em aprovar uma anistia após a decisão da Corte. “Votar uma anistia pós-condenação do STF, que espero que seja unânime, será um desafio no Congresso Nacional”, destacou.
A Primeira Turma do Supremo deu início ao julgamento nesta terça-feira, com sessões extraordinárias agendadas para os dias 3, 9, 10 e 12 de setembro.
No “núcleo 1” do caso, além do ex-presidente Jair Bolsonaro, estão sete outros réus:
- Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-presidente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência);
- Almir Garnier, almirante que comandou a Marinha durante o governo de Bolsonaro;
- Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
- Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional);
- Mauro Cid, ex-ajudante de ordens;
- Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa; e
- Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil, candidato a vice-presidente em 2022.
Os réus respondem a cinco acusações na Suprema Corte, incluindo:
- Organização criminosa armada;
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- Dano qualificado pela violência e ameaça grave;
- Deterioração de patrimônio tombado.
A exceção é Ramagem, que teve a ação penal suspensa pela Câmara dos Deputados e responde apenas pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.
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