TRT1

Juíza que reclamou de lanche recebeu R$ 709 mil em salários em 2025

Juíza recebeu R$ 709 mil em salários em 2025

A presidente da ABMT (Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho) e juíza do Trabalho aposentada, Cláudia Márcia de Carvalho Soares, que durante uma defesa sobre os penduricalhos no Judiciário mencionou que desembargadores “mal têm um lanche”, obteve R$ 709 mil em salários líquidos no ano de 2025.

Cláudia é juíza aposentada do TRT1 (Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região). As informações são públicas e podem ser consultadas no Painel de Remuneração do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Segundo a lista, ela é isenta da cobrança de Imposto de Renda, um benefício normalmente concedido a pessoas com doenças graves.

O mês de dezembro foi o período em que a juíza recebeu o maior vencimento, cerca de R$ 128 mil líquidos.

Durante um julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre os penduricalhos destinados a servidores públicos, fez críticas contundentes ao que chamou de “quase nada” em benefícios recebidos por desembargadores.

“Juiz de primeiro grau não tem carro, paga do próprio bolso o combustível, o carro financiado, enfim. Não tem apartamento funcional, não tem plano de saúde, não tem refeitório, não tem água e não tem café”, afirmou na primeira sessão de julgamento das liminares sobre a suspensão do pagamento de penduricalhos no serviço público.

Ela acrescentou: “Desembargador também tem quase nada, a não ser um carro, mal tem um lanche”.

O STF está decidindo se confirma as decisões dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes, que suspenderam o pagamento de verbas indenizatórias não previstas em lei — os chamados “penduricalhos” — que permitem ultrapassar o teto constitucional do funcionalismo público, atualmente fixado em R$ 46.366,19.

O julgamento teve início na quarta-feira (25), mas não houve apresentação de votos. A sessão foi dedicada às sustentações orais de associações e entidades interessadas no caso. A expectativa é que os ministros se pronunciem na retomada da análise.

Ao abrir os trabalhos, o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, destacou que o pagamento de valores acima do teto é uma questão “tormentosa” e que “impõe resposta célere” do tribunal.


← Voltar para as notícias