José Serra – Wikipédia, a enciclopédia livre
José Serra Chirico, GOMM, nasceu em São Paulo, no dia 19 de março de 1942. É um economista, professor e político brasileiro, filiado ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Durante os governos de Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer, ocupou os cargos de ministro das Relações Exteriores, da Saúde e do Planejamento. No estado de São Paulo, exerceu funções como governador, deputado federal, senador e prefeito da capital.
Serra nasceu no bairro da Mooca, filho de um imigrante italiano e de uma brasileira. Iniciou sua trajetória acadêmica em 1960, ao ingressar no curso de engenharia civil na Universidade de São Paulo. No entanto, sua formação foi interrompida após o golpe militar de 1964, quando se exilou devido à sua militância política. Refugiou-se inicialmente no Chile, onde conheceu sua esposa, Mónica Serra, e teve dois filhos. Durante esse período, também estudou na Universidade do Chile e, em 1973, mudou-se para os Estados Unidos, onde se formou na Universidade de Cornell.
Após catorze anos no exílio, Serra retornou ao Brasil e foi nomeado secretário de Planejamento de São Paulo em 1983. Eleito deputado federal em 1988, foi um dos fundadores do PSDB e, em 1994, elegeu-se senador, mas não chegou a assumir a vaga, pois foi nomeado por Fernando Henrique Cardoso como ministro do Planejamento. Também atuou como Ministro da Saúde durante o governo FHC.
Na eleição municipal de 2004, foi eleito prefeito de São Paulo, derrotando Marta Suplicy. Renunciou ao cargo em 2006 para concorrer ao governo de São Paulo, sendo eleito no primeiro turno. Tentou a presidência da República em 2002 e 2010, mas foi derrotado em ambas as ocasiões. Em 2012, tentou novamente a prefeitura, mas foi superado por Fernando Haddad. Foi eleito senador nas eleições de 2014, mas renunciou ao cargo no início do governo Temer. Em 2022, não conseguiu ser eleito deputado federal.
Primeiros anos, educação e política estudantil
José Serra Chirico nasceu em 19 de março de 1942, no bairro da Mooca, em São Paulo. Filho único de Francesco Serra, um imigrante italiano, e de Serafina Chirico Serra, brasileira, Serra teve uma infância marcada por dificuldades financeiras. Apesar das limitações, sua família sempre priorizou a educação, o que lhe permitiu chegar à faculdade.
Após concluir o ensino médio, ingressou em 1960 na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, onde começou a se envolver no movimento estudantil. Tímido, encontrou no teatro uma forma de se expressar, desempenhando papéis importantes em peças da faculdade.
Ainda na universidade, Serra se candidatou a uma diretoria do grêmio estudantil, começando sua trajetória política. Em 1962, tornou-se presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), implementando mudanças significativas na entidade e ganhando notoriedade.
Em 1963, Serra foi eleito presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), o que o levou ao Rio de Janeiro. Durante seu mandato, participou de importantes eventos políticos, incluindo um comício em homenagem a Getúlio Vargas. Sua postura crítica ao governo de João Goulart o tornou uma figura reconhecida, mas também o expôs a riscos.
Com o golpe militar de 1964, Serra se viu obrigado a deixar o Brasil, refugiando-se em várias embaixadas antes de se estabelecer no Chile. Passou a trabalhar em atividades políticas e acadêmicas, além de ajudar perseguidos políticos a encontrar refúgio. Após a chegada de Augusto Pinochet ao poder, Serra foi preso e, posteriormente, se exilou na França e nos Estados Unidos, onde continuou seus estudos.
Retornou ao Brasil em 1977 e, após um tempo, tornou-se professor na Universidade de Campinas. Em 1982, foi fundamental na campanha de Franco Montoro ao governo de São Paulo, sendo nomeado secretário de Planejamento em 1983, onde implementou um programa de saneamento fiscal e desenvolvimento de infraestrutura.
Secretário estadual de Planejamento
Ao assumir a Secretaria de Planejamento, Serra enfrentou um estado altamente endividado. Sua gestão foi marcada por um enfoque centralizador e a implementação de um programa de saneamento fiscal. Apesar de descontentamentos entre os servidores públicos, conseguiu avançar em grandes obras, incluindo a expansão do metrô e a construção de estradas vicinais.
Seu trabalho como secretário foi reconhecido como fundamental para a administração de Montoro. Em 1984, se licenciou para integrar o grupo que elaborava o programa econômico da candidatura de Tancredo Neves à presidência, mas após a morte de Neves, retornou ao cargo em São Paulo, onde continuou a influenciar as políticas públicas do estado.
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