Jorge Ben Jor embala abertura de “A Nobreza do Amor” com África no centro
Jorge Ben Jor Embala Abertura "A Nobreza do Amor" Com África no Centro
A Globo escolheu "Zumbi", clássico de Jorge Ben Jor, como tema de abertura de "A Nobreza do Amor". Produzida em animação, a vinheta aposta em referências negras e na conexão cultural entre Brasil e África para apresentar o universo da novela.
A canção de abertura é guiada por um clássico da música brasileira, "Zumbi", música de Jorge Ben Jor, do álbum "A Tábua de Esmeralda", lançado em 1974.
A abertura apresenta Jendal, vivido por Lázaro Ramos, observando Tonho, personagem de Ronald Sotto, e depois Alika, interpretada por Duda Santos, em um momento de reconexão. O encontro do casal simboliza justamente essa união dos dois universos.
A criação parte de uma noção de tempo cíclico, central em muitas culturas de matriz africana. Isso organiza o próprio percurso da vinheta. A imagem do reino de Batanga abre e fecha o vídeo, criando esse movimento circular que simboliza realeza, destino e retorno.
O universo visual da abertura foi montado a partir de uma mistura de tecidos africanos, arte popular brasileira, símbolos adinkra e referências à força moral de Xangô, além do tecido Kente, ligado às realezas Ashanti, em Gana. Ou seja, não foi um passeio decorativo por uma estética exótica de vitrine.
Existe uma intenção clara de trabalhar poder, linhagem, memória e ancestralidade dentro da narrativa visual. A própria estrutura acompanha temas centrais da novela, como ancestralidade, travessia e aliança entre dois mundos. A câmera atravessa padronagens até chegar a mandalas e adinkras e, desse percurso simbólico, emerge a realidade. É nesse giro que aparecem Jendal, vivido por Lázaro Ramos, observando Tonho, personagem de Ronald Sotto, e depois Alika, interpretada por Duda Santos, em um momento de reconexão.
E claro que nada disso funcionaria da mesma forma sem a música. “Zumbi”, lançada por Jorge Ben Jor em 1974, no álbum “A Tábua de Esmeralda”, entra como bússola e como manifesto emocional da abertura. Não é uma canção escolhida para preencher espaço. É um clássico carregado de peso histórico, identidade e pulsação.
A abertura já entra na festa dizendo que quer dialogar com raízes, com memória e com um Brasil que nem sempre é tratado com a grandeza que merece. O projeto criativo foi liderado por Will Nunes e supervisionado por Chris Calvet, com uma equipe que trouxe pluralidade ao processo.
A própria estrutura acompanha temas centrais da novela, como ancestralidade, travessia e aliança entre dois mundos. A câmera atravessa padronagens até chegar a mandalas e adinkras e, desse percurso simbólico, emerge a realidade. É nesse giro que aparecem Jendal, vivido por Lázaro Ramos, observando Tonho, personagem de Ronald Sotto, e depois Alika, interpretada por Duda Santos, em um momento de reconexão.
A própria abertura já chega cercada por esse esforço de amarrar narrativa, identidade visual e repertório cultural numa mesma moldura. E eu vou te dizer uma coisa, meu povo. Quando uma novela estreia com Jorge Ben Jor no comando da porta de entrada, com África no centro da imagem e com uma abertura que quer ser lida, decifrada e sentida, ela já entra na festa sem passar despercebida.
Eu, que sou uma mulher facilmente comovida por uma boa abertura de novela e por qualquer gesto estético que respeite inteligência e memória, fiquei curiosíssima para ver esse material no ar.
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