João Farrapo
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Em meio a papéis desordenados, encontro uma carta de Meira Pires (1928/2016), renomado ator e diretor do Teatro Alberto Maranhão por mais de vinte anos, além de membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. O conteúdo aborda a adaptação de sua peça “João Farrapo” para o cinema, sob a direção de Nelson Pereira dos Santos. A carta é datada de outubro de 1975, mais de cinquenta anos atrás. Transcrevo a íntegra:
"Passei 48 horas em Salvador. Posso garantir: João Farrapo será filmado. Nelson concluirá “Tenda dos Milagres” na primeira quinzena de Novembro. Ele fará os retoques e novas filmagens até o final deste mês. Na primeira quinzena de Dezembro, estará em Natal, viajando com dois assistentes. Vem com meu cunhado Ivanaldo Leite, que reside em Salvador, e que nomeei meu representante junto a Nelson.
Acredito firmemente que Nelson não permitirá que outro escreva o roteiro. Ele é um artista sensível e cuidadoso com seu trabalho. Em Natal, ele tomará todas as providências para que a filmagem inicie, no máximo, em Fevereiro. Esta é a realidade.
De 1º a 20 de Dezembro, o Serviço Nacional de Teatro e a Secretaria de Estado da Educação e Cultura realizarão um Curso de Preparação de Professores de Artes Cênicas. O SNT enviará a Professora Nelena Barcelos. Anexo está o programa do curso e o currículo da professora. O SNT, sob a direção de Orlando Miranda de Carvalho, me convidou para ministrar “História do Espetáculo”. Orlando afirma que minha participação será valiosa para os alunos.
O SNT paga R$ 100,00 por hora. Já aceitei. Darei 30 horas em 20 dias. É o suficiente.
O curso é destinado a professores do ensino fundamental e médio, além de interessados. Será uma grande promoção do teatro, com aulas no Salão de Ballet, e certificados serão distribuídos.
Uma jornada desafiadora, mas as coisas estão avançando. Um forte abraço do velho amigo.
Na coluna de Ancelmo Gois, de O Globo, edição de 23:
O escritor Guimarães Rosa (1908-1967), cujo clássico “Grande Sertão: Veredas” completa 70 anos, compôs pelo menos 18 sambas, sendo que três deles (“O aloprado”, “Adamúbies” e “Ou ou”) foram gravados em 1968 por Dulce Nunes (1929-2020) no LP “Samba do Escritor”.
Essa curiosidade faz parte de uma nova biografia do autor, prevista para lançamento em junho, pela Companhia de Letras, que também publicará uma edição comemorativa de “Grande Sertão: Veredas”. O título é “Guimarães Rosa, a biografia”, escrito pelo potiguar Gustavo de Castro, professor da UNB e especialista na obra de Rosa.
O livro revela que o escritor tinha afeição por animais e ensinava um papagaio a “falar” em alemão e francês. Guimarães Rosa também era compositor de sambas.
Recebi uma reclamação da leitora Maria do Carmo Feitosa, residente na rua Ary Parreiras, no Alecrim:
“O relógio da Praça Gentil Ferreira, no cruzamento da rua Amaro Barreto com a avenida Presidente Bandeira (av. Dois), coração do Alecrim, permanece parado, marcando as 8 horas há muito tempo. É um absurdo.”
Aproveito para lembrar que na próxima quarta-feira, dia 4, durante a lua cheia, é o aniversário de Eloy de Souza. Jornalista, escritor, político, deputado federal e senador, ele nasceu em Recife em 1873. Irmão da poetisa Auta de Souza e do poeta Henrique Castriciano, faleceu em Natal em
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