Jacques Wagner anuncia chapa, evitando que Lula endossasse troca de Jerônimo por Rui Costa
Wagner age para consolidar chapa e evitar troca de candidatos
Em uma ação decisiva, o senador Jaques Wagner (PT) desautorizou publicamente Jerônimo Rodrigues (PT) ao anunciar a chapa governamental para a sucessão estadual em uma entrevista a uma rádio no interior, evitando que o ministro Rui Costa (Casa Civil) fosse alçado à candidatura ao Palácio de Ondina.
Fontes ligadas ao PT e aos envolvidos revelaram ao site Política Livre que Wagner temia que, influenciado por Rui, o presidente Lula pudesse convencer Jerônimo a desistir da reeleição em favor do ministro durante a viagem que fazem juntos à Índia.
A escolha de Jerônimo por Lula para integrar a comitiva aumentou as suspeitas de Wagner sobre uma possível manobra. Ao antecipar o anúncio sem a presença de Jerônimo e mantendo um vice considerado fraco, Geraldo Jr. (MDB), o senador acreditou que poderia barrar qualquer tentativa de mudança.
Essa atitude extrema foi vista como um sinal de que a rivalidade entre Wagner e Rui, negada publicamente, estava se intensificando, em parte devido à animosidade entre as ex-primeiras damas Fátima Mendonça e Aline Peixoto, que alimenta os desentendimentos entre os dois políticos.
Desde o ano passado, circulam especulações sobre a substituição de Jerônimo pelo ministro como candidato ao governo. Pesquisas internas indicariam o favoritismo de um candidato das oposições, ACM Neto (União), e a fragilidade da candidatura de Jerônimo.
Esses dados teriam sido levados por Rui a Lula, que ficou preocupado com o desempenho de Jerônimo, que poderia impactar negativamente sua campanha na Bahia e em nível nacional. Com as sondagens mostrando Rui como o político mais forte entre os petistas, o ministro começou a defender sua candidatura em Brasília.
Antes da viagem ao exterior, Rui buscou o deputado federal Diego Coronel (PSD) para sugerir que seu pai, Angelo Coronel (PSD), adiasse o anúncio de sua candidatura à reeleição ao Senado na chapa de Neto, alegando que mudanças poderiam ocorrer no lado governista.
Caso Rui assumisse a candidatura ao governo, ele poderia negociar com Coronel sua permanência na chapa ao lado de Wagner. O senador é visto como responsável pela saída de Coronel do grupo, após este decidir concorrer novamente ao Senado, quebrando um acordo feito com o ministro durante a campanha de 2022.
A possibilidade de um retorno de Rui ao governo preocupa Wagner, que atualmente controla a gestão. Essa condição poderia mudar drasticamente se Rui fosse eleito, visto que, em gestões anteriores do ministro, Wagner enfrentou dificuldades.
Em resumo, Wagner parece temer mais Rui do que Neto, ou vê os dois como igualmente desafiadores.
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