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Ives Gandra Martins e filha apoiam rede católica conservadora contra aborto e questões de gênero

Ives Gandra Martins, jurista destacado e ligado ao movimento católico Opus Dei, fundou um instituto com sua filha, Angela Gandra, para promover causas conservadoras e colaborar com entidades católicas em ações jurídicas e lobby sobre pautas morais.

Reconhecido no ativismo católico conservador no Brasil, Ives Gandra Martins está à frente de uma rede de organizações que visa influenciar o Judiciário e o Legislativo do país. Ele participou da criação de pelo menos seis entidades focadas em atuar no Judiciário e no lobby sobre temas como aborto, questões de gênero, família e sexualidade. Esse ecossistema possui influência política e se conecta a redes conservadoras internacionais.

Angela Gandra, advogada e ex-secretária de Relações Internacionais da prefeitura de São Paulo, compartilha com o pai a liderança no Instituto Ives Gandra, fundado em 2018. Juntos, eles defendem uma visão conservadora em várias frentes.

O jurista tem vínculos com entidades como a União Brasileira de Juristas Católicos (Ubrajuc), a Associação Brasileira de Juristas Conservadores (Abrajuc) e o Instituto Brasileiro de Direito e Religião (IBDR). Seu filho, Ives Gandra Filho, é ministro do TST e esteve envolvido com a Abrajuc, além de ter sido cogitado para o STF durante o governo Jair Bolsonaro.

As organizações da família Gandra já se manifestaram contra a descriminalização do aborto, destacando sua presença no Judiciário e sua capacidade de influenciar decisões importantes. Rodrigo Toniol, professor de antropologia na UFRJ, afirma que essas entidades têm um papel significativo na formação de jurisprudência.

Próximo de completar 91 anos em 12 de fevereiro, Ives continua ativo, participando de debates acadêmicos e audiências no Congresso Nacional. Com mais de 200 publicações jurídicas, ele é uma figura respeitada na área e frequentemente consultado pela grande imprensa sobre temas relevantes.

Recentemente, o nome de Ives apareceu nas investigações sobre os eventos de 8 de janeiro de 2023, quando a Polícia Federal encontrou um questionário no celular de um ex-assessor de Bolsonaro que continha respostas de Ives sobre a utilização do artigo 142 da Constituição Federal. Este artigo foi interpretado por alguns bolsonaristas como uma justificativa para a intervenção militar.

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) pediu punição a Ives por "incitação ao golpe", mas o processo foi arquivado. Ives defende que não houve golpe, afirmando que "sem armas não pode haver golpe".

Além de Ives, outros juízes e advogados têm se organizado em grupos que buscam apoiar decisões judiciais fundamentadas na fé. Esses grupos, muitas vezes aliados a entidades católicas, atuam em temas como aborto e direitos da família.

O Instituto Ives Gandra se destaca por seu ativismo jurídico e pela promoção de uma "cosmovisão jurídica, moral e política" baseada em valores cristãos. O instituto organiza seminários e participa ativamente de discussões no Legislativo e no Judiciário sobre temas polêmicos.

Angela Gandra, que atuou como secretária nacional da Família, é conhecida por sua posição antiaborto e por seu trabalho em projetos que buscam regulamentar o ensino domiciliar. Em 2023, ela representou o Instituto em audiências públicas e defendeu a inclusão do Brasil no Consenso de Genebra, um documento que se opõe a legislações internacionais pró-aborto.

A família Gandra, com suas conexões internacionais e atuação em diversas frentes, continua a influenciar o cenário conservador brasileiro. Para Rodrigo Toniol, o impacto da família no catolicismo conservador é significativo, dada sua legitimidade acumulada ao longo dos anos.

Ives Gandra é visto como um iniciador de uma rede ampla de associações conservadoras que se alimentam mutuamente em suas causas e pautas.

Esses grupos, que defendem a tradição católica, também se dedicam a promover pautas moralizantes e conservadoras, frequentemente alinhados a políticas de direita e extrema direita.

Tentativas de contato com Ives, Ives Filho e Angela Gandra para uma entrevista não obtiveram resposta.


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