Domingos Brazão

Irmãos Brazão: a milícia do Rio de Janeiro senta no banco dos réus e é condenada

Clã Brazão: Milícia do Rio de Janeiro é condenada

A família Brazão, uma influente dinastia política da Zona Oeste do Rio, acumulou poder, terras e polêmicas ao longo dos anos, desafiando aqueles que cruzaram seu caminho.

No plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), a família acompanhou angustiada a condenação de Domingos e Chiquinho. O conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ) e o ex-deputado federal, ambos presos há dois anos, enfrentaram a decisão unânime que os sentenciou a 76 anos e três meses de prisão pelos homicídios da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, além de outros crimes. O deputado estadual Pedro Brazão estava presente, alternando entre momentos de oração e lágrimas. Ao ouvir a menção aos irmãos na CPI das Milícias de 2008, balançou a cabeça em discordância.

O ex-deputado estadual Marcelo Freixo, que também estava presente e foi responsável por instaurar a CPI, comentou sobre a relevância do julgamento, destacando o envolvimento da família com milícias desde o início de suas trajetórias políticas.

Na mesma sessão, o ex-major da Polícia Militar, Ronald Paulo de Alves, recebeu uma pena de 56 anos de prisão, enquanto outros envolvidos, como o delegado Rivaldo Barbosa, foram condenados por corrupção passiva e obstrução à Justiça, mas escaparam das acusações de homicídio.

O caso do assassinato de Marielle e Anderson atraiu atenção internacional ao revelar a complexa rede que liga políticos e milicianos no Rio de Janeiro, atuando em benefício de interesses pessoais.

O patriarca Domingos iniciou sua carreira política em 1996, sendo eleito vereador. Em 1998, começou sua trajetória na Assembleia Legislativa do Estado do Rio, cargo que ocupou até 2015, quando assumiu um mandato vitalício no TCE-RJ. Chiquinho e Pedro seguiram caminhos semelhantes, com Chiquinho atuando como vereador de 2004 a 2018, e Pedro sendo eleito deputado estadual em 2018.

Durante seu tempo no poder, os irmãos acumularam riquezas por meio de atividades ilícitas, como grilagem de terras e investimentos em postos de gasolina, sem declarar corretamente os valores em suas prestações de contas.

Investigadores já apontavam Domingos como uma figura violenta e perigosa, frequentemente associado a grileiros na região. Sua trajetória política foi marcada por controvérsias, incluindo uma prisão temporária em 2017 por suspeitas de corrupção.

As motivações por trás do assassinato de Marielle estão ligadas a interesses políticos, com a CPI e o PSOL sendo vistos como ameaças pelos Brazão. A vereadora se opôs a projetos que favoreciam a família, tornando-se um alvo.

As investigações enfrentaram obstáculos, com a Polícia Civil sendo acusada de tentar desviar atenção dos verdadeiros responsáveis. Eventualmente, a Polícia Federal assumiu o caso e descobriu que os mandantes do crime eram os irmãos Brazão, enquanto tentativas de encobrir o caso por parte de autoridades falharam em proporcionar a justiça desejada.

O julgamento e a condenação dos Brazão marcam um ponto importante na luta contra a corrupção e a violência política no Brasil, refletindo a necessidade de responsabilização e transparência nas esferas de poder.


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