bbci

Irã vai jogar a Copa? Os impactos do conflito com os EUA no Mundial mais politizado dos últimos tempos

Daqui a pouco mais de 100 dias, os Estados Unidos se preparam para receber a Copa do Mundo de futebol masculino, contando com a participação do Irã, que já garantiu sua vaga.

Recentemente, em uma operação militar conjunta com Israel, os EUA atacaram o Irã, provocando uma onda de retaliações por todo o Golfo Pérsico. Isso levanta questões sobre as implicações do conflito para os países envolvidos, a FIFA e um torneio que já é considerado altamente politizado.

O Irã participará da Copa do Mundo?

Esta será a quarta Copa do Mundo consecutiva do Irã. Os jogos da fase de grupos estão agendados para ocorrer nos Estados Unidos, incluindo confrontos contra a Nova Zelândia e a Bélgica em Los Angeles, e contra o Egito em Seattle.

Apesar de não ter desistido da competição no ano passado, quando os EUA bombardearam instalações nucleares iranianas, a atual escalada do conflito fez com que o presidente da federação iraniana de futebol expressasse incertezas sobre a participação do país. Mehdi Taj comentou que, devido aos recentes acontecimentos, é improvável que o Irã olhe para a Copa do Mundo como uma prioridade, mas que a decisão final ficará a cargo dos dirigentes esportivos.

A situação torna-se ainda mais complexa com a morte do aiatolá Ali Khamenei e as incertezas políticas que cercam o Irã.

Sanam Vakil, do Chatham House, descreve o atual conflito como existencial para o regime iraniano e não acredita que se resolverá rapidamente.

A FIFA, por sua vez, afirmou que está monitorando a situação. O secretário-geral, Mattias Grafstrom, reiterou que o objetivo é garantir uma Copa do Mundo segura e com a participação de todas as seleções.

Se o Irã decidir se retirar ou for excluído, a FIFA poderá substituí-lo por outra equipe da Confederação Asiática de Futebol (AFC). As opções incluem o Iraque, que ainda pode conseguir uma vaga na repescagem, ou os Emirados Árabes Unidos, que foram eliminados nas qualificatórias.

Território desconhecido

A política de imigração dos EUA, que proíbe a entrada de cidadãos de 12 países, incluindo o Irã, complica ainda mais a situação. Embora jogadores e membros da comissão técnica sejam exceções, o Irã ameaçou boicotar o sorteio da Copa, realizado em Washington, após suas autoridades terem pedidos de visto negados.

Se o Irã estiver presente, a segurança durante os jogos e a base de treinamento no Arizona estarão sob um olhar atento. Durante a Copa do Mundo de 2022, os jogos da seleção iraniana ocorreram em meio a protestos contra o governo.

Dado o histórico de tensões e a presença significativa da comunidade iraniana em Los Angeles, a possibilidade de protestos durante as partidas é real. Nick McGeehan, do grupo de direitos humanos FairSquare, alerta que a situação é volátil, especialmente com os anfitriões em conflito com um país participante.

Se o Irã se retirar, a FIFA pode ver isso como uma forma de evitar distúrbios. Contudo, as tensões podem persistir, especialmente considerando que o torneio coincide com as comemorações dos 250 anos da Declaração de Independência dos EUA, onde a presença de Donald Trump é esperada.

Recentemente, o governo dos EUA foi alertado sobre possíveis consequências para a segurança, caso as cidades-sede não recebam os fundos necessários devido a um fechamento parcial do governo. Além disso, há preocupações sobre o uso de autoridades de imigração no torneio, assim como a violência dos cartéis no México, outro país anfitrião.

As relações entre os EUA e o Canadá também se deterioraram, com a imposição de tarifas por parte de Trump.

Durante o fim de semana, Andrew Giuliani, chefe da força-tarefa da Casa Branca para a Copa, elogiou os ataques aéreos contra o Irã, afirmando que suas ações visam a segurança global. Contudo, isso pode aumentar as críticas ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, especialmente após a entidade ter concedido a Trump um prêmio em uma cerimônia anterior.

O conflito no Oriente Médio promete intensificar a pressão sobre a FIFA e sua relação com a política externa dos EUA. Críticos pedem uma reavaliação do alinhamento da FIFA com Trump, considerando as implicações para o torneio.

Em meio a essa situação complexa, o que já era um cenário desafiador para a Copa do Mundo se tornou ainda mais complicado.


← Voltar para as notícias