Irã mantém uma capacidade de reação bastante expressiva, diz professor
Irã mantém capacidade de reação expressiva, afirma professor
Em entrevista à CNN, o professor de Geopolítica da ESG (Escola Superior de Guerra), Ronaldo Carmona, destacou que o Irã continua sendo uma força militar significativa, mesmo após os recentes ataques. De acordo com Carmona, apesar de uma certa degradação nas capacidades militares do país, ele ainda possui uma capacidade de reação considerável no cenário internacional.
O especialista comentou sobre a postura dos EUA, que estabeleceram um objetivo maximalista em relação ao Irã. Esse objetivo não abrange apenas o programa nuclear, mas também visa a eliminação do programa de mísseis iranianos e o corte do apoio do país a diversos movimentos políticos e insurgentes no Oriente Médio. "Na proclamação inicial do presidente Trump, foi sugerido que o objetivo da operação era a decapitação do regime", ressaltou.
Carmona analisou possíveis cenários para a evolução do conflito. O primeiro seria a inserção de tropas americanas em solo iraniano, o que, segundo ele, seria necessário para derrubar o regime. Contudo, ele considera essa hipótese improvável tanto militar quanto politicamente.
Uma pesquisa da CNN indica que 59% dos americanos desaprovam ataques ao Irã.
Trump afirmou que os ataques "destruíram" a liderança militar do Irã em apenas uma hora e declarou à CNN que os EUA estão "dando uma surra" no Irã.
"Militarmente, isso exigiria a mobilização de milhares de soldados. O Irã tem 90 milhões de habitantes e uma geografia complexa", explicou. Carmona também destacou que há restrições políticas, uma vez que Trump adotou a plataforma de não iniciar guerras que possam resultar em baixas de soldados americanos.
Um segundo cenário considerado seria uma acomodação de interesses, onde o Irã aceitaria as demandas maximalistas dos EUA. No entanto, o professor acredita que essa possibilidade também é remota, devido à natureza das forças que governam o Irã atualmente. Aceitar essa acomodação significaria, por exemplo, o fim do programa de mísseis, essencial para a capacidade militar do país.
Carmona alertou para os impactos econômicos globais do conflito, especialmente nos preços do petróleo, que podem desestabilizar a economia mundial. Por isso, ele argumenta que um terceiro cenário, que prevê uma guerra prolongada com ataques contínuos, também não é viável do ponto de vista dos interesses internacionais.
Estratégia americana e impactos globais
O professor relacionou o atual conflito à Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos e seu documento operacional, a Estratégia de Defesa. Segundo ele, esses documentos defendem um desengajamento da presença militar americana tanto na Europa quanto no Oriente Médio, priorizando o domínio hemisférico nas Américas e a contenção da China no Pacífico.
"Se a proposta da Estratégia de Segurança Nacional e de Defesa é um desengajamento no Oriente Médio, então essa operação de troca de regime no Irã faz sentido em relação ao maior protagonismo de Israel na organização dessa região em favor dos interesses israelenses e americanos", concluiu Carmona.
← Voltar para as notícias