Irã enfrenta apagão de internet após ataques dos EUA e Israel; entenda
Irã enfrenta apagão de internet após ataques dos EUA e Israel
O país atravessa um apagão quase total de internet que já dura mais de 48 horas, com a conectividade reduzida a apenas 1% do normal. Essa interrupção digital ocorre após ataques aéreos e cibernéticos conjuntos dos Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos.
Mais de 90 milhões de pessoas estão enfrentando as repercussões desse isolamento em um contexto de crescente tensão militar na região. Enquanto especialistas atribuem as falhas em sites a ataques externos, o monitor NetBlocks aponta que o bloqueio foi imposto pelo próprio governo de Teerã. Essa combinação de ofensivas externas e restrições internas tem desativado serviços essenciais.
A queda significativa na conectividade teve início na manhã de sábado. Análises das empresas Kentik e NetBlocks indicam que apenas uma fração mínima de tráfego permanece ativa. O cenário atual é semelhante ao bloqueio prolongado que ocorreu em janeiro, quando o governo buscou conter protestos civis.
Nesta crise, os ataques afetaram o aplicativo religioso BadeSaba, utilizado por mais de cinco milhões de apoiadores do governo, que foi hackeado para transmitir mensagens pedindo aos militares que abandonem suas armas em favor do povo. Além disso, sites de notícias oficiais e serviços militares foram invadidos, dificultando a resposta iraniana.
O governo do Irã costuma desligar a rede para controlar a disseminação de informações em momentos críticos. A conectividade que ainda existe se deve a um sistema de “lista branca” (whitelisting), conforme relatado pelo analista Doug Madory no X/Twitter. Esse mecanismo permite que apenas grupos e instituições leais ao regime mantenham acesso à internet.
Especialistas vinculam a atual onda de ataques digitais à ofensiva militar. Pesquisadores da empresa Anomali relataram que, antes dos bombardeios, grupos iranianos realizaram ataques do tipo “wiper” (que apagam dados) contra Israel, tentando neutralizar sistemas de defesa.
Atualmente, o Irã responde com ataques de negação de serviço (DDoS), que buscam derrubar sites ao sobrecarregar seus sistemas. Grupos aliados a Teerã também estão monitorando infraestruturas de energia e finanças de aliados dos EUA. Analistas alertam que essas ações simples podem preceder operações ofensivas mais agressivas.
(Essa matéria utilizou informações de CNBC e Reuters.)
Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep). Já escreveu para sites, revistas e jornais. No Olhar Digital, aborda uma variedade de temas.
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