Irã diz que Estreito de Ormuz foi fechado: qual é sua importância e quais podem ser as consequências
Irã declara fechamento do Estreito de Ormuz: importância e possíveis consequências
Crédito, Nicolas Economou/Reuters
Reconhecido como uma das rotas marítimas mais cruciais e estratégicas do planeta, o Estreito de Ormuz é vital para o comércio global.
Aproximadamente 20% do consumo mundial de petróleo transita por essa via, que conecta os países produtores do Oriente Médio aos principais mercados da Ásia-Pacífico, Europa e América do Norte.
Esse canal, que em seu ponto mais estreito separa Omã do Irã por apenas 33 quilômetros, foi alvo de declarações contundentes por parte de um alto funcionário da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) nesta segunda-feira (2/3). Ebrahim Jabari avisou que o estreito foi fechado e que qualquer embarcação que tentasse atravessá-lo seria atacada.
Esta é a primeira vez que o Irã anuncia um fechamento total do estreito e emite ameaças contra o tráfego marítimo.
O anúncio surge após um ataque aéreo massivo realizado pelos Estados Unidos e Israel, que resultou em bombardeios a instalações estratégicas no Irã, culminando na morte de diversas figuras importantes do regime, incluindo o aiatolá Ali Khamenei.
Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra Israel e bases militares americanas em países vizinhos, intensificando o conflito na região.
Com o aumento das tensões e a interrupção das cadeias de suprimentos globais, os preços do petróleo e do gás já começaram a subir, mesmo antes da declaração do Irã sobre o fechamento do estreito.
A relevância estratégica do Estreito de Ormuz é inegável, e as repercussões de seu fechamento podem ser vastas.
O estreito, limitado ao norte pelo Irã e ao sul por Omã e os Emirados Árabes Unidos, conecta o Golfo ao Mar da Arábia. Com cerca de 50 km de largura em suas extremidades e aproximadamente 3 km nas rotas marítimas, o canal é suficientemente profundo para permitir a passagem dos maiores petroleiros do mundo.
Na primeira metade de 2023, estima-se que cerca de 20 milhões de barris de petróleo tenham transitado diariamente pelo Estreito de Ormuz, resultando em um comércio energético anual de quase US$ 600 bilhões. Essa quantia faz do estreito a passagem mais importante para a produção de petróleo global, abrangendo também a produção da Opep, que inclui Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, além de uma significativa parcela do gás natural liquefeito do Catar.
Qualquer interrupção nessa rota impacta diretamente o comércio, resultando em aumentos nos preços do petróleo a nível mundial. O fechamento do estreito teria consequências particularmente severas para a China, principal compradora de petróleo iraniano, que mantém uma relação estreita com Teerã.
Em crises anteriores, os EUA alertaram a China sobre os riscos de um bloqueio pelo Irã, enfatizando que o país asiático seria mais prejudicado economicamente do que o Ocidente.
O ex-chefe da agência de inteligência britânica MI6, Alex Younger, afirmou que o fechamento do estreito seria um “problema econômico enorme”, devido ao impacto no preço do petróleo.
A situação é considerada "território desconhecido" por especialistas em geopolítica, como Bader Al-Saif, que destaca que um bloqueio teria consequências diretas nos mercados globais, elevando os preços do petróleo e instigando reações nervosas nas bolsas de valores.
As economias do Golfo, que dependem fortemente da exportação de energia, também seriam severamente afetadas. A Arábia Saudita, por exemplo, utiliza o estreito para exportar cerca de 6 milhões de barris de petróleo bruto diariamente, mais do que qualquer outro país vizinho.
Em termos de estratégia militar, o Irã poderia tentar bloquear o estreito utilizando minas navais e lanchas rápidas de ataque, além de submarinos. No entanto, essa ação poderia desencadear uma resposta militar dos Estados Unidos, uma vez que navios de guerra estrangeiros se tornariam alvos.
Embora especialistas concordem que o Irã poderia realizar um bloqueio temporário, muitos acreditam que os EUA e seus aliados conseguiriam restabelecer rapidamente o tráfego marítimo por meio de ações militares.
Historicamente, durante a guerra Irã-Iraque na década de 1980, a região vivenciou uma "guerra dos petroleiros", onde ambos os lados atacavam navios neutros para exercer pressão econômica. A proteção de petroleiros por navios de guerra americanos se tornou a maior operação de comboios navais desde a Segunda Guerra Mundial.
Além disso, a interrupção do trânsito no estreito, somada à retirada de seguradoras e à suspensão de envios de gás natural, pode impactar a economia chinesa em poucas semanas e provocar uma forte alta nos preços do petróleo globalmente.
Outras economias asiáticas, como Índia, Japão e Coreia do Sul, também estão profundamente dependentes do petróleo que transita pelo Estreito de Ormuz.
Com informações de Adán Hancock, repórter de negócios da BBC, e Gavin Butler, do serviço persa da BBC.
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