Investigação expõe suposto 'núcleo político' do Comando Vermelho no Amazonas
Investigação revela suposto 'núcleo político' do Comando Vermelho no Amazonas
Uma investigação recente indicou a existência de um suposto "núcleo político" da facção Comando Vermelho (CV) no Amazonas, resultando na prisão de servidores e ex-servidores dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. As detenções ocorreram nesta sexta-feira, 20 de outubro, e envolvem pessoas que teriam sido cooptadas pelo grupo criminoso.
Os indícios apurados mostram que o CV estava realizando pagamentos a funcionários públicos com o objetivo de acessar informações sigilosas, incluindo mandados de prisão e decisões judiciais em processos que corriam em segredo de Justiça.
Entre os envolvidos, destaca-se uma ex-chefe de gabinete da prefeitura de Manaus, ex-assessores parlamentares e um policial militar, todos supostamente participantes de um esquema que abarcava lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.
As autoridades emitiram um total de 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, abrangendo não apenas Manaus, mas também cidades como Belém, Ananindeua, Belo Horizonte, Fortaleza, Teresina e Estreito.
Até o momento, 14 pessoas foram detidas, sendo oito no Amazonas e seis em outros estados. Entre os presos, está Izaldir Moreno Barros, analista do Tribunal de Justiça do Amazonas, que, segundo investigações, teria recebido R$ 210 mil para verificar a existência de mandados de prisão contra membros do CV.
Outro nome relevante é Anabela Cardoso Freitas, ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida. Ela é investigada por ter recebido quantias de empresas ligadas ao tráfico, totalizando cerca de R$ 1,5 milhão, valor considerado incompatível com sua renda.
A investigação também revelou que o policial militar Osimar Vieira Nascimento recebeu R$ 55 mil, suspeitando-se que a quantia tenha sido paga como propina para garantir a movimentação de drogas sem restrições.
O principal suspeito de liderar o esquema criminoso é Allan Kleber Bezerra Lima, que estaria coordenando os pagamentos a servidores. Um mandado de prisão foi expedido contra ele, mas ainda não foi localizado.
Em outras localidades, foram detidos indivíduos como Antônia Fabiane Silva Pinho (São Paulo), Patrícia Chagas Bezerra (Pará), Lucila Meireles Costa (Piauí) e outros.
As defesas dos envolvidos alegam desconhecimento dos autos e pedem a presunção de inocência. As apurações tiveram início após a apreensão de mais de 500 tabletes de maconha, além de armamentos e veículos utilizados no tráfico.
Conforme o delegado Marcelo Martins, a atuação de agentes públicos na facilitação do tráfico é uma preocupação central da investigação. As drogas eram adquiridas em Tabatinga e distribuídas para outros estados, com movimentação financeira estimada em R$ 70 milhões nos últimos quatro anos.
A prefeitura de Manaus afirma que não é alvo da operação e que qualquer servidor investigado responderá individualmente por seus atos. O Tribunal de Justiça do Amazonas e a Polícia Militar também se manifestaram, destacando que medidas estão sendo tomadas para garantir a legalidade e a correção nas ações de seus servidores.
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