Apuração INSS

INSS notificou Master três vezes para comprovar empréstimos consignados

INSS notifica Banco Master para comprovar empréstimos consignados

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) notificou o Banco Master pelo menos três vezes para que apresentasse a documentação que comprove a existência legal e o consentimento adequado de aposentados e pensionistas em mais de 250 mil contratos de empréstimos consignados. No dia 26 de novembro de 2025, o órgão bloqueou aproximadamente R$ 2 bilhões em repasses ao banco, medida que permanece válida até a conclusão da apuração interna.

Uma investigação divulgada pela GloboNews nesta segunda-feira (2) revela que o Banco Master teria realizado uma “expansão agressiva” em sua carteira de crédito nos últimos anos, resultando em um grande número de averbações sem o suporte documental necessário e sem seguir os requisitos de segurança exigidos.

O despacho da investigação interna do INSS, datado de 19 de novembro de 2025, afirma que a instituição financeira não apresentou a documentação requisitada pela Diretoria de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão. Isso ocorreu um dia após o Banco Central decretar a liquidação do Master.

Em nota à Gazeta do Povo, a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, contestou a investigação. A defesa afirmou que a instituição sempre atuou em conformidade com as normas do INSS para concessão de crédito consignado, incluindo formalização, identificação do contratante e comprovação de consentimento.

A concessão irregular dos mais de 250 mil empréstimos consignados levou à convocação de Daniel Vorcaro para depor na CPMI do INSS nesta quinta-feira (5), a pedido do presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG). Para evitar conflitos com investigações sigilosas no Supremo Tribunal Federal (STF), o depoimento deverá se restringir aos contratos firmados entre o banco e os beneficiários do INSS.

Conforme a investigação interna, o Banco Master foi notificado formalmente três vezes, sendo a última após contato com o liquidante no dia 23 de janeiro. Apesar das notificações, o INSS ainda aguarda a entrega completa da documentação exigida.

O órgão informou que “aguarda manifestação e envio da documentação pelo banco”, com expectativa de reavaliação da situação em até 15 dias.

O despacho ressalta a falta de documentos solicitados, o que compromete a confiabilidade dos contratos e expõe os beneficiários a possíveis descontos indevidos em seus benefícios. A ausência de mais de 250 mil contratos é considerada uma falha grave e insanável, levantando sérias dúvidas sobre a validade do consentimento dos beneficiários.

Além da falta de contratos físicos, a análise de amostras no sistema eConsignado identificou documentos genéricos que não apresentavam informações essenciais como limite de crédito, taxa de juros, forma de pagamento e número de parcelas, infringindo regras mínimas de transparência.

Essa nova investigação se soma àquela já em andamento sobre a venda de carteiras de crédito sem lastro ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12,2 bilhões, além da tentativa de venda do Banco Master a uma instituição estatal, que foi barrada pelo Banco Central no ano anterior.

A defesa de Daniel Vorcaro reiterou que o Banco Master sempre atuou em conformidade com as normas do INSS na concessão de crédito consignado, incluindo os requisitos necessários para a formalização e comprovação de consentimento.


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