Infantino completa 10 anos de presidência da Fifa — entre reformas acertadas e posturas desastradas
Análise da Gestão de Gianni Infantino na Fifa
Rodrigo Capelo avalia os dez anos de liderança de Gianni Infantino à frente da Fifa.
Assumindo a presidência após Joseph Blatter, o dirigente suíço-italiano enfrentou desafios significativos, incluindo as revelações do Fifagate e polêmicas relacionadas às Copas da Rússia e do Catar. Nesse período, ele teve a oportunidade de resolver algumas confusões e, ao mesmo tempo, criar novas.
O escândalo do Fifagate revelou a compra de votos de dirigentes para a escolha do país-sede da Copa do Mundo. A resposta de Infantino foi reformular o sistema de escolha, passando de uma votação fechada, realizada por um comitê executivo de 24 membros, para uma votação aberta, com participação das 211 federações.
Outro aspecto crítico da gestão é o legado das Copas anteriores. Países como África do Sul, Brasil, Rússia e Catar investiram fortunas em estádios e infraestrutura, muitos dos quais se tornaram elefantes brancos. Em 2017, logo ao assumir, o presidente sugeriu que as Copas fossem organizadas em conjunto por várias nações, dividindo assim os custos.
Na mesma época, Infantino também anunciou a expansão da Copa do Mundo de 32 para 48 seleções. Embora essa mudança tenha gerado controvérsias sobre a qualidade do torneio, ela também trouxe uma nova dinâmica política ao evento. Países como Curaçao, Panamá, Haiti, Uzbequistão e Jordânia agora têm mais chances de participar, o que se traduz em um voto adicional para cada federação.
Essa estratégia não é nova, mas foi consolidada por Infantino. João Havelange foi o precursor ao buscar poder político em federações menores fora da Europa. A Copa passou de 24 para 32 seleções em 1998, durante o último ano de Havelange no cargo, e Blatter aperfeiçoou esse método.
Recentemente, a criação da Copa de Clubes foi um acerto, proporcionando um espaço para que clubes europeus competissem com os sul-americanos e asiáticos, gerando mais receita e entretenimento. Contudo, essa iniciativa não agradou aos ingleses, que priorizam a Premier League.
Em resumo, a gestão de Infantino apresenta aspectos positivos, especialmente em relação a escândalos e na continuidade de estratégias políticas e financeiras de seus antecessores. No entanto, ele comete erros ao se comunicar com o público.
Na abertura da Copa de 2022, o presidente da Fifa declarou que se sentia "catariano, árabe, gay, deficiente e trabalhador imigrante", uma tentativa mal interpretada de suavizar as críticas sobre as violações de direitos humanos no Catar. Além disso, sua recente bajulação a Trump, com a criação de um Prêmio da Paz, foi um equívoco notável.
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