Zeca Dirceu

Indignado, Zeca Dirceu detona deputados bolsonaristas: rasgaram R$ 30 bilhões para a segurança pública

Zeca Dirceu critica deputados bolsonaristas por cortes na segurança pública

O deputado Zeca Dirceu (PT) expressou sua indignação nesta quarta-feira, 25, após a Câmara dos Deputados aprovar um projeto de lei que estabelece um marco legal para o combate ao crime organizado no Brasil. A proposta, no entanto, retira a destinação de recursos provenientes de empresas de apostas (bets) para o Fundo Nacional de Segurança Pública. "Rasgaram R$ 30 bilhões. É essencial denunciar e expor essa situação. O dinheiro que deveria ser utilizado para melhorar a segurança e a vida de quem sofre com a criminalidade foi cortado da proposta aprovada no Senado", afirmou Dirceu.

Ele explicou que o projeto antifacção previa um imposto de apenas 15% sobre os jogos eletrônicos, já aprovado pelo Senado. "A Câmara, contra a nossa vontade – nossa bancada se opôs – retirou essa medida. Isso enfraquece o trabalho da Polícia Federal, ao cortar pela metade os recursos de bens apreendidos. Estão facilitando a vida do crime organizado", acrescentou.

Dirceu criticou os deputados bolsonaristas, que, segundo ele, afirmam defender a segurança pública, mas se silenciaram diante do parecer do deputado Guilherme Derrite (PL-SP). "O plenário estava lotado nesta madrugada, e os vídeos estão disponíveis online. É uma conversa vazia dizer que estão preocupados com a segurança. Não fizeram nada. Se elegeram com essa pauta e, quando tiveram a chance de garantir investimentos significativos, não agiram", disse.

Para Dirceu, o que realmente combate as facções é o corte do fluxo financeiro que sustenta o crime. "Se enfraquecer o perdimento e retirar recursos essenciais da segurança, quem ganha são as organizações criminosas. O Brasil precisa de uma legislação eficaz, moderna e constitucionalmente segura. O texto do Senado avança nesse sentido. Retroceder agora é facilitar a vida dos criminosos", avaliou.

O Senado havia aprovado, em 10 de dezembro do ano passado, o projeto de lei 5.582/2025, conhecido como PL Antifacção. Este texto endurece as penas para crimes cometidos por organizações criminosas e milícias, restringe a progressão de regime e amplia os instrumentos de investigação. Dentre as propostas, estava a destinação de recursos das empresas de apostas para o Fundo Nacional de Segurança Pública, todos os quais foram retirados pelo relator na Câmara.

A Secretaria Nacional de Políticas Penais estima que existem 88 facções e milícias operando em todo o Brasil, sendo que duas delas têm alcance transnacional. Para combater o poder econômico dessas facções, o projeto facilitava a apreensão de bens em favor da União, a intervenção judicial em empresas usadas para crimes e o bloqueio de operações financeiras, além da suspensão de contratos com o poder público.


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