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Idade da criança ao ganhar primeiro smartphone eleva riscos à saúde

Pesquisas indicam que quanto mais cedo uma criança recebe um smartphone, maiores são os riscos de desenvolver problemas de saúde como depressão, obesidade e distúrbios do sono. A idade em que o aparelho é adquirido se revela mais importante do que o tempo que a criança passa na tela, impactando diretamente seu neurodesenvolvimento.

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A aquisição precoce de smartphones, antes dos 12 anos, está ligada a riscos significativamente maiores de problemas de saúde mental e física nas crianças.

Um estudo envolvendo mais de 10 mil adolescentes sugere que a idade em que o primeiro smartphone é recebido é mais relevante do que a quantidade de tempo que se passa em frente às telas.

Crianças que possuem um smartphone aos 12 anos têm 30% mais chances de apresentar sintomas de depressão, 40% mais risco de obesidade e 60% mais de distúrbios do sono.

Especialistas explicam que o smartphone pode atuar como um “amplificador” de comportamentos sedentários e da privação de sono, afetando o desenvolvimento crítico entre 8 e 12 anos.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda limites de uso de telas conforme a idade e sugere que o uso seja supervisionado, priorizando atividades físicas e sociais.

Crianças de 12 anos que já possuem um smartphone demonstram mais sintomas depressivos, maior risco de obesidade e menos horas de sono em comparação àquelas que não têm o aparelho. Essa conclusão foi obtida a partir de um estudo publicado na revista Pediatrics.

A pesquisa acompanhou jovens por até seis anos, analisando tanto o tempo de uso de telas quanto a idade de aquisição do smartphone. Ao atingir os 12 anos, 64% dos jovens já possuíam um smartphone, e esse número subiu para 89% aos 14 anos. A idade média para a aquisição do primeiro aparelho foi de 11 anos.

Os pesquisadores descobriram que a cada ano em que o smartphone é introduzido mais cedo na vida da criança, há um aumento na probabilidade de desenvolver problemas. Aqueles que já possuíam o dispositivo apresentaram riscos 30% maiores de depressão, 40% maiores de obesidade e 60% maiores de distúrbios do sono.

A pediatra Quíssila Neiva Batista, do Einstein Hospital Israelita, destaca que a pesquisa traz um novo olhar ao discutir a idade de aquisição do smartphone, mostrando que esse fator pode ser tão importante quanto o tempo de uso.

Embora não se possa afirmar que o smartphone seja a causa direta desses problemas, a associação é notável. A relação entre o uso do aparelho e a saúde mental e física é complexa e multifatorial. Crianças com maior vulnerabilidade emocional podem buscar o celular mais cedo, e ambientes familiares menos estruturados tendem a introduzir o smartphone antes do ideal.

Os riscos estão relacionados ao fato de que o smartphone pode amplificar comportamentos sedentários e a privação de sono. Ele oferece um ambiente digital constante e estimulante, o que pode interferir no neurodesenvolvimento infantil.

A faixa etária entre 8 e 12 anos é crucial para a formação de hábitos saudáveis e a regulação emocional. A introdução precoce do aparelho pode levar à exposição a estímulos constantes, dificultando a formação de rotinas saudáveis.

No estudo, os impactos negativos foram observados mesmo com o uso moderado do aparelho. O tempo médio de tela entre 8 e 12 anos já ultrapassava cinco horas diárias.

A SBP recomenda limites de tempo de tela: crianças de 2 a 5 anos devem ter acesso a telas por até uma hora diária, enquanto as de 6 a 10 anos podem usar entre uma e duas horas. Para adolescentes de 11 a 18 anos, o máximo é de duas a três horas. O uso deve sempre ser supervisionado por um adulto.

Vale ressaltar que “telas” incluem também televisão e tablets, que tendem a ser menos nocivos em comparação aos smartphones, que são mais portáteis e acessíveis. A pediatra enfatiza que os smartphones não devem ser vistos como uma necessidade, mas sim como uma ferramenta que requer maturidade para um uso seguro.

Independentemente do dispositivo, é importante seguir algumas recomendações: evitar o uso de telas no quarto à noite, estabelecer horários para o uso, priorizar atividades físicas e sociais e, sempre que possível, optar por aparelhos que não ofereçam acesso irrestrito à internet em idades mais precoces.


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