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IBP vê risco de novo patamar para o petróleo com escalada entre EUA e Irã

IBP aponta risco de novos preços altos para o petróleo com tensões entre EUA e Irã

28/02/2026 11h55

Atualizado há 4 minutos

O presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Ardenghy, acredita que o mercado de petróleo pode experimentar um novo patamar de preços se o conflito entre EUA e Irã continuar ou se intensificar.

Em entrevista ao InfoMoney, Ardenghy destacou que, embora seja complicado prever o quanto os preços podem subir no médio e longo prazo, é quase certo que os contratos terão alta na próxima segunda-feira, dia 2.

A escalada das tensões, incluindo ataques ao Irã, pode impactar significativamente o mercado. A produção do país, os riscos associados ao Estreito de Ormuz e a reação da Opep+ elevam o prêmio de risco do petróleo diante da crescente militarização da região.

A recente ofensiva conjunta de EUA e Israel contra o Irã intensifica essa preocupação. Donald Trump prometeu desmantelar a infraestrutura militar iraniana e acabar com o programa nuclear do país, enquanto Teerã já anunciou que está preparando uma resposta, aumentando os temores de uma escalada no Oriente Médio.

Ardenghy observou que, até agora, o mercado global de petróleo estava relativamente estável, com uma oferta e demanda equilibradas para 2026 e 2027. No entanto, essa situação pode mudar rapidamente se o conflito afetar o Estreito de Ormuz, crucial para a exportação de petróleo global.

O presidente do IBP ressaltou que essa passagem é o principal canal de exportação de petróleo do mundo, responsável por cerca de 25% da produção global. O petróleo da Arábia Saudita, assim como grandes volumes de gás natural do Catar e Omã, transitam por essa região.

Embora a produção iraniana seja significativa, eventuais dificuldades de exportação impactariam diretamente a Ásia. “China, Índia e Japão seriam os mais afetados”, afirmou Ardenghy.

Por outro lado, essa situação pode beneficiar o petróleo brasileiro. “O Brasil é um fornecedor confiável”, destacou, mencionando a qualidade do petróleo do pré-sal, o potencial da Margem Equatorial e a ausência de grandes riscos geopolíticos.

Além do Brasil, a Guiana, que já produz em uma região geológica similar àquela avaliada pela Petrobras (PETR3; PETR4), também pode se destacar no mercado internacional caso o conflito se agrave.

Entretanto, a Venezuela ainda não se posiciona como um player ágil, devido à sua infraestrutura defasada e à necessidade de altos investimentos para aumentar a produção. Segundo Ardenghy, o petróleo venezuelano, sendo mais pesado, demanda mais esforço nas etapas de extração e refino.

As tensões no Oriente Médio também devem pressionar o mercado de gás natural, um recurso abundante na região. Se as hostilidades continuarem, o impacto pode ser ainda maior, como já sinalizou Trump.

“Em mercados como Índia e Japão, podemos observar uma perda de competitividade dessas economias devido a pressões inflacionárias”, concluiu Ardenghy. “Isso ressalta a importância de garantir a segurança energética do Brasil.”


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