IBP: guerra com Irã deve pressionar preço de combustíveis pelo mundo
Implicações da Guerra com o Irã nos Preços dos Combustíveis
A disputa entre Estados Unidos e Israel contra o Irã pode influenciar diretamente os preços dos combustíveis globalmente, conforme destacou Roberto Ardenghy, presidente do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis).
Em entrevista à CNN Brasil, Ardenghy alertou que o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma via crucial para a navegação da região, pode desestabilizar o mercado internacional de petróleo.
"O Estreito de Ormuz é vital para o escoamento da produção do Oriente Médio, que é não apenas o maior produtor, mas também o maior exportador de petróleo no mundo", comentou.
Estima-se que cerca de 18 milhões de barris de petróleo e GNL (gás natural liquefeito) transitem diariamente por essa importante rota marítima.
Após os ataques ao Irã, a MSC decidiu direcionar embarcações no Golfo para buscar refúgio.
Os futuros do petróleo dispararam 12%, enquanto o mercado em geral caiu 1%, refletindo a tensão entre EUA e Irã.
Empresas de navegação estão redirecionando suas rotas em resposta aos ataques recentes.
Efeitos Regionais e Medidas de Contenção
O presidente do IBP afirmou que países asiáticos, como Singapura, China e Japão, seriam particularmente vulneráveis, devido à alta dependência do GNL para suas necessidades energéticas e industriais.
"Hoje à noite, com a abertura dos mercados asiáticos, devemos perceber uma pressão ascendente nos preços", previu.
Ardenghy também mencionou que a decisão da OPEP de aumentar a liquidez no mercado é um passo relevante, porém a situação dependerá da intensidade do conflito na região.
Outro aspecto importante é a utilização de estoques estratégicos por países importadores sem produção interna.
"Estados Unidos e China possuem grandes reservas de petróleo, mas o uso é restrito. Não se pode esgotar rapidamente um estoque estratégico", explicou.
O especialista enfatizou que o mercado global precisará se adaptar rapidamente ao conflito que teve início no último sábado (28).
Ardenghy alertou que, se a situação piorar, os preços dos combustíveis podem ser ainda mais pressionados nos dias seguintes, impactando economias em todo o mundo, incluindo o Brasil, que embora seja produtor de petróleo, ainda tem seus preços internos vinculados às cotações internacionais.
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