Ibaneis propõe aporte no BRB com uso de 12 imóveis após rombo do Banco Master
Proposta de Aporte no BRB Utilizando 12 Imóveis Após Crise do Banco Master
20/02/2026 21h25
Atualizado 2 dias atrás
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), apresentou à Câmara Legislativa um projeto de lei solicitando autorização para injetar recursos no Banco de Brasília (BRB), em resposta ao prejuízo causado pelo Banco Master. Para isso, ele propôs a utilização de 12 imóveis do DF como mecanismo para levantar os fundos necessários.
A antecipação do envio do projeto foi divulgada pelo Estadão. Embora a expectativa fosse que o texto fosse protocolado na próxima semana, a proposta foi apresentada na noite da última sexta-feira, 20. Informações sobre o conteúdo da proposta foram também reveladas pelo site Metrópoles, que teve acesso ao documento.
O MPTCU solicitou o fim do “super sigilo” no caso do Banco Master, expressando preocupação com a decisão do ministro Jhonatan de Jesus e cobrando maior transparência em um tema de interesse coletivo.
Além disso, a Câmara do DF arquivou pedidos de impeachment contra Ibaneis relacionados ao escândalo do Banco Master. As representações foram protocoladas por partidos como PSB, PSOL, PDT e Cidadania no fim de janeiro.
O projeto concede ao governo do Distrito Federal, como acionista controlador do BRB, a capacidade de reforçar o capital do banco. O aumento pode acontecer por meio de aporte patrimonial, venda de bens públicos – com a destinação dos recursos para o BRB – e outras medidas que estejam de acordo com as normas do sistema financeiro nacional.
Doze imóveis foram listados no projeto como potenciais fontes de receita imediata. Eles podem ser vendidos, transferidos para o BRB para operações econômicas, convertidos em títulos negociáveis, utilizados em um fundo de investimento imobiliário ou oferecidos como garantia em empréstimos. Essas alternativas podem ser aplicadas isoladamente ou em combinação.
A proposta de usar os imóveis como garantia para empréstimos, sem vender patrimônio público de imediato ou afetar o orçamento, é vista por aliados de Ibaneis como a solução menos prejudicial para as finanças do DF.
A administração de Ibaneis acredita que o BRB enfrenta uma crise financeira em decorrência do impacto deixado pelo Banco Master. O banco estatal adquiriu carteiras problemáticas e ainda não conseguiu calcular a extensão total do prejuízo, que pode alcançar R$ 9 bilhões, conforme informações de fontes próximas às análises e auditorias financeiras em curso.
O governo não divulgou uma estimativa de quanto poderá arrecadar com a exploração desses imóveis, que estão localizados em áreas como o Setor de Áreas Isoladas Norte (SAIN), Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), Taguatinga e Guará. Os imóveis pertencem à Terracap e à Novacap, duas empresas do governo do DF.
O projeto determina que a utilização dos imóveis estará sujeita à avaliação prévia, à compatibilidade com o interesse público e ao cumprimento das normas de governança e transparência.
A necessidade de um aporte se intensificou, segundo integrantes do banco estatal e do governo distrital. Conforme reportado pelo Estadão, o Banco Central pode aplicar um "cartão amarelo" ao BRB caso não haja aportes até o dia 31 de março, que é a data limite para a divulgação do balanço da instituição.
O Banco Central pode utilizar a Resolução 4019, de 2011, a mesma que afetou o Banco Master, impondo restrições ao BRB, como a proibição de abrir novas agências e explorar novos negócios, além de limitar as operações do banco.
O presidente da Câmara Legislativa do DF, deputado Wellington Luiz (MDB), comentou que o projeto enfrentará desafios na tramitação, mas os parlamentares estão dispostos a encontrar soluções para salvar o banco.
O BRB já iniciou a venda de ativos próprios para recuperar liquidez, mas a venda dessas carteiras não é suficiente, uma vez que apenas troca ativos por dinheiro sem aumentar o patrimônio do banco. Um aporte é considerado a única alternativa viável para restaurar o capital do BRB e melhorar o índice de Basileia, que indica a saúde financeira de uma instituição.
O BRB conseguiu vender ativos considerados de qualidade, como carteiras de empréstimos consignados e antecipação de saque do FGTS, mas ainda não conseguiu vender carteiras adquiridas do Banco Master.
Informações indicam que Ibaneis está se empenhando pessoalmente para facilitar a venda desses ativos, acreditando que isso diminuiria a necessidade de um aporte garantido pelo governo do DF, o que ainda não ocorreu.
A situação de capitalização é preocupante, uma vez que o DF enfrenta dificuldades financeiras, como noticiado anteriormente, e perdeu a nota de capacidade de pagamento (Capag) junto à União. Portanto, a oferta de imóveis como garantia, sem a venda imediata de patrimônio ou uso de recursos orçamentários, é a alternativa mais preferida pelo Executivo distrital.
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