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Cidade comemora 15 anos da redescoberta do Cais do Valongo
Nesta quinta-feira (26/02), a cidade celebra um marco essencial da sua identidade e da história mundial: os 15 anos da redescoberta do Cais do Valongo. Localizado durante as escavações para a revitalização do Porto Maravilha em 2011, o sítio arqueológico foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 2017. O cais simboliza a Diáspora Africana nas Américas, sendo o ponto de chegada de mais de 1 milhão de africanos que foram escravizados, um dos capítulos mais sombrios da história da humanidade. Desde então, o local se tornou um centro de memória e educação, utilizado por escolas para promover o Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana, que serve como ferramenta pedagógica e fonte de pesquisa para a comunidade científica.
A descoberta em 2011 destacou a contribuição da população africana e seus descendentes na formação da identidade cultural do Rio de Janeiro. O Cais do Valongo integra o conceito da Pequena África, onde a prefeitura lançou o projeto Praça Onze Maravilha. O secretário municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento, Gustavo Guerrante, menciona que o projeto revitaliza o berço do samba e do carnaval, promovendo a integração entre urbanismo e habitação social em uma área que sofreu apagamentos históricos. A iniciativa promete um investimento de R$ 1,75 bilhão, com a construção de 38 mil unidades residenciais, prevendo a chegada de mais de 100 mil novos moradores em 25 anos. As obras incluem a demolição do Viaduto 31 de Março e a construção da nova Biblioteca dos Saberes, projetada pelo arquiteto Diébédo Francis Kéré, reconhecido com o prêmio Pritzker.
Contexto histórico do cais
O cais foi construído em 1811, localizado na antiga Freguesia de Santa Rita, com o intuito de esconder as condições degradantes do tráfico de pessoas escravizadas, essencial para a economia brasileira da época. Embora a atividade tenha sido oficialmente proibida em 1831, continuou clandestinamente até reformas que ocultaram vestígios dessa história. Em 1843, passou por reformas e foi rebatizado como Cais da Imperatriz, para receber Teresa Cristina, noiva de Dom Pedro II. Em 1911, foi soterrado novamente durante obras urbanísticas.
Após um século, o cais foi resgatado e preservado como um memorial ao ar livre, fruto de um acordo entre a prefeitura e lideranças do movimento negro. Com a redescoberta do sítio, o projeto viário da Rua Barão de Tefé foi modificado, tornando o Cais do Valongo o eixo central do circuito que inclui marcos como o Cemitério dos Pretos Novos e o Centro Cultural José Bonifácio. Em parceria com a Secretaria Municipal de Educação e o Instituto Pretos Novos, o circuito se transformou em uma ferramenta educativa, recebendo milhares de alunos anualmente.
Visitação ao Laboratório Aberto de Arqueologia Urbana
Em frente ao Cais do Valongo, o galpão histórico Docas André Rebouças, anteriormente conhecido como Docas Dom Pedro II, abriga materiais retirados das intervenções, sob a responsabilidade do Laboratório Aberto de Arqueologia Urbana (Laau), mantido pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH). Desde 2014, a prefeitura investiu mais de R$ 20 milhões em conservação, resultando em um acervo monumental de 1,5 milhão de achados arqueológicos que atraem pesquisadores e turistas, tornando-se um centro de referência global.
A presidente do IRPH, Laura Di Blasi, destaca que o Cais do Valongo é o coração de um acervo monumental, transformando o que estava soterrado em conhecimento científico. O IRPH faz parte do Comitê Gestor do Sítio Arqueológico, estabelecido pela Portaria IPHAN nº 88, em 20 de março de 2023.
O espaço de exposição conta com objetos do cotidiano dos antigos moradores e grandes estruturas, como canhões e âncoras. O prédio, projetado por André Rebouças, simboliza a recusa em utilizar mão de obra escravizada durante sua construção. Visitas guiadas gratuitas podem ser agendadas pelo telefone (21) 2088-1479 ou pelo e-mail [email protected]. O público também pode observar o trabalho dos arqueólogos através de janelas de vidro.
Serviço
Local: Laboratório Aberto de Arqueologia Urbana (LAAU) – Rua Barão de Tefé, 75, Saúde.
Visitação: segunda a sexta, das 9h às 17h (mediante agendamento).
Contatos para agendamento: (21) 2088-1479 | [email protected]
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