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Governador do ES exonera delegado após investigação sobre juiz federal
Uma investigação da Polícia Civil do Espírito Santo revelou atividades suspeitas do juiz federal Macário Júdice, levando à exoneração de um dos delegados responsáveis pela apuração. O governador Renato Casagrande (PSB) tomou essa decisão no final do ano passado.
Além do delegado exoneração, outros membros da equipe também foram deslocados. As mudanças ocorreram logo após a finalização do relatório de inquérito, que indiciou um empresário por manter conversas irregulares com o magistrado.
O secretário de Segurança do estado, Leonardo Damasceno, declarou que não tem conhecimento sobre os diálogos entre o juiz e o empresário, e que as exonerações foram resultado de desgaste na equipe que trabalhou com o delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda.
A relação entre Casagrande e Macário Júdice é alvo de um pedido de investigação da Polícia Federal junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). A PF identificou conversas em um celular de Macário que poderiam sugerir uma troca de favores ilícitos.
Essas apurações são desdobramentos de investigações sobre a atuação de Júdice no Rio de Janeiro, onde ele foi acusado de vazar informações para o presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar (União).
Em nota, o governador afirmou que o contato com o magistrado era “institucional e republicano”. A Folha tentou contato com o advogado de Macário, Fernando Fernandes, mas não obteve resposta.
As conversas suspeitas foram descobertas durante a Operação Baest, iniciada em maio de 2025, que visava desmantelar o "braço financeiro" da facção Primeiro Comando de Vitória. O empresário Adilson Ferreira foi um dos alvos, e seu celular continha diálogos que indicavam a interferência de Macário em licitações durante a gestão de Casagrande.
O relatório final da operação foi concluído em 24 de setembro, resultando no indiciamento de Ferreira por lavagem de dinheiro. Após essa data, os quatro delegados que assinaram o documento foram afastados.
O delegado-geral, José Darcy Arruda, retirou Alan Moreno de Andrade do Ciat no mesmo dia. Em 2 de outubro, José Lopes Pereira também deixou sua função. Em dezembro, Ricardo de Almeida Soares foi transferido do Departamento de Homicídios para o de Narcóticos.
Casagrande exonerou Romualdo Gianordoli Neto do cargo de subsecretário de Inteligência em 24 de outubro. Romualdo, que assumiu um cargo de assessor na Secretaria de Segurança, foi dispensado em dezembro.
Após sua saída, Romualdo afirmou que seu afastamento foi relacionado ao avanço da Operação Baest sobre Ferreira, dizendo que o empresário tinha conexões com pessoas influentes na sociedade e no governo.
Romualdo alegou que sua exoneração ocorreu três dias após uma reunião sobre a operação. Ele comentou que outros três policiais envolvidos também foram removidos.
Damasceno negou que as exonerações estivessem ligadas aos diálogos suspeitos e afirmou que tanto ele quanto o governador não tinham conhecimento das investigações sigilosas.
Sobre Romualdo, o secretário mencionou que ele é alvo de apuração por "apropriação de dados da Polícia Civil". Damasceno ressaltou que a quebra de confiança entre Romualdo e o delegado-geral afetou também outros membros da equipe.
O advogado de Ferreira, Douglas Luz, defendeu que as acusações contra seu cliente são infundadas e de caráter político. Ele afirmou que os diálogos com Macário não envolvem atos ilícitos, e a remessa à PF foi uma medida cautelar.
Principais personagens
- Renato Casagrande (PSB): governador do Espírito Santo
- Romualdo Gianordoli: ex-subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança
- Macário Júdice: juiz federal do TRF-2
- Adilson Ferreira: empresário investigado na Operação Baest
Principais acontecimentos
- mai. 2025: Início da Operação Baest pela Polícia Civil do ES
- set. 2025: Conclusão do relatório da operação com indiciamento de Adilson Ferreira
- out. 2025: Exoneração de Romualdo Gianordoli por Renato Casagrande
- jan. 2026: Pedido do MP do ES à Justiça para compartilhar diálogos suspeitos com a PF
Outro lado
Damasceno afirmou que ele e o governador desconheciam os diálogos entre o empresário e o juiz, reiterando que Romualdo foi exonerado devido a desgastes com a Polícia Civil e por sua atuação política. Casagrande destacou que seu diálogo com Macário era "institucional e republicano".
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