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EUA devem designar PCC e CV como ‘terroristas’ e Brasil ameaça virar alvo militar
Medida transformaria operações de grupos criminosos como alvos legítimos de ataques militares americanos, mesmo em solo estrangeiro
Segundo diplomatas ouvidos pelo ICL Notícias, as equipes técnicas do governo dos EUA já concluíram os trabalhos para designar os grupos criminosos PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras, abrindo o caminho para adotar sanções e mesmo medidas militares contra os criminosos.
O trabalho técnico já foi realizado nos EUA e, agora, resta apenas uma chancela política, o que deve vir nos próximos dias. Segundo diplomatas ouvidos pelo ICL Notícias, a decisão dificilmente será revertida.
A medida foi revelada com exclusividade no domingo pelo portal UOL. A reportagem do ICL Notícias confirmou que o Palácio do Planalto já havia sido alertado sobre o risco de tal decisão fosse adotada nos próximos dias e buscava caminhos para reabrir diálogo com os EUA.
Se confirmado, o PCC e o CV entrariam numa lista que já inclui mais de uma dezena de outras organizações criminosas da região. São elas:
México: Cartel de Sinaloa, Cartel Jalisco Nova Geração , Cartel do Golfo, Los Zetas.
A decisão ameaça ainda a suposta “boa química” que existiria entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. O combate ao crime organizado seria um dos principais pontos da reunião entre os dois líderes, e que poderia ainda ocorrer entre março e abril.
Mas uma decisão dessa natureza ameaça descarrilhar o trabalho diplomático de aproximação. O governo brasileiro acreditava que havia neutralizado o risco ao propor um programa conjunto para lidar com o crime organizado.
Mas a pauta não se limitava ao crime. Entre diplomatas, o tema é também um instrumento político de pressão. A classificação como terroristas era uma reivindicação de bolsonaristas que, ao colocar o tema como centro da relação com o Brasil, buscam o envolvimento direto do governo Trump na agenda doméstica do país.
Flávio Bolsonaro chegou a sugerir a necessidade de uma ação americana em território brasileiro. Ele recebeu uma delegação americana ainda em 2025 para debater o tema e deu seu sinal favorável à medida. Um suposto dossiê ainda foi preparado pelo governo de Cláudio Castro, no Rio de Janeiro, e mandado para a Casa Branca, com detalhes sobre os grupos criminosos.
Dentro do governo, existe ainda a suspeita de que informações possam ter sido passadas pelo ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência, Alexandre Ramagem, e que hoje vive nos EUA.
Em um tom de brincadeira, o discurso do presidente Trump foi revelador. Num certo momento, ele explicou que fará com o narcotráfico o mesmo que os EUA fizeram com o Estado Islâmico. Ou seja, bombardear em territórios estrangeiros.
Em um tom de ironia, ele ainda avisou aos demais presidentes da região: “vocês querem mísseis? Posso também bombardear. Esses mísseis são precisos”.
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