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Bancadas de Paes e PL trocam ataques enquanto vereadora do PL faz declarações polêmicas sobre pessoas trans
Vereadores antecipam guerra eleitoral com ataques mútuos na Câmara do Rio
Tensão política exploda na Câmara com críticas a Flávio Bolsonaro e declarações anti-trans
A Câmara Municipal do Rio de Janeiro se transformou em palco de tensões políticas nesta terça-feira, refletindo antecipadamente a disputa pelo governo estadual de 2026. Em sessão marcada por confrontos verbais, a base do prefeito Eduardo Paes (PSD) e a oposição bolsonarista protagonizaram embate que evidencia o acirramento das relações políticas na capital fluminense.
Os vereadores Flávio Valle e Salvino Oliveira, ambos do PSD, iniciaram os ataques criticando a proximidade entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o governador Cláudio Castro (PL). Durante seus pronunciamentos, mencionaram o arquivado caso das "rachadinhas" envolvendo Flávio Bolsonaro e fizeram referências a supostas ligações com o crime organizado.
A estratégia da base governista visa desgastar antecipadamente os adversários de Eduardo Paes na corrida ao Palácio Guanabara. Com cinco meses ainda restantes para o início oficial das campanhas eleitorais, os aliados do prefeito já trabalham para construir narrativas que possam beneficiar sua candidatura ao governo estadual.
Reação da bancada bolsonarista
O vereador Poubel, da oposição bolsonarista, não deixou os ataques passarem em branco e contra-atacou resgatando declaração recente de Eduardo Paes. O prefeito havia dito estar "cansado de brincar em seu palácio" e agora queria "brincar em outro", referência clara à sua intenção de renunciar ao cargo para disputar o governo do estado.
Esta fala de Paes tem sido explorada pela oposição como demonstração de descompromisso com o mandato municipal e ambição política desmedida. A estratégia busca caracterizar o prefeito como político oportunista que abandona responsabilidades em busca de cargos mais altos.
O vereador Rafael Satiê (PL) intensificou o confronto com declarações mais contundentes, criticando o que chamou de "discurso raso" da base governista. "Não faz sentido tentar antecipar algum tipo de discurso aqui para tentar de alguma forma vilipendiar outras pessoas. Esse discurso raso diminui inclusive o trabalho da Câmara do Rio", declarou.
Satiê elevou o tom do confronto ao questionar as funções exercidas pelos vereadores da base de Paes: "Vocês não sabem ainda se são secretários, subsecretários ou subprefeitos de bairro. A gente não sabe de fato quais funções vocês exercem". Esta crítica sugere confusão entre os papéis legislativo e executivo na administração municipal.
A declaração mais impactante veio quando Satiê advertiu sobre a escalada do confronto: "Estão entrando em território que não dominam. Mas podem vir quente, porque eu tô fervendo". A frase simboliza a disposição da bancada bolsonarista para intensificar os embates políticos na Câmara.
Declarações polêmicas sobre pessoas trans
Em episódio paralelo que gerou grande repercussão, a vereadora Alana Passos (PL), que assumiu a vaga de Carlos Bolsonaro, fez declarações controversas sobre pessoas trans durante a mesma sessão. A parlamentar afirmou categoricamente que "mulheres trans não são mulheres", gerando indignação nas bancadas do PSOL e do PT.
Alana Passos justificou sua posição com argumentos que considera científicos: "Cientificamente, biologicamente, existe macho e fêmea. E não há como argumentar sobre isso". A vereadora utilizou linguagem depreciativa ao se referir a pessoas trans como "mulher da shopee", em contraposição ao que chamou de "mulher de verdade".
A bancada do PSOL e do PT manifestaram indignação com o que consideram discurso de ódio e discriminação contra a população LGBTQIA+.
A vereadora concluiu suas declarações reafirmando sua posição: "Eu respeito a todos e a tudo, então me respeitem como mulher fêmea que sou. Eu sou mulher de verdade. Não sou mulher da shopee". Esta fala evidencia a contradição entre afirmar respeito e proferir declarações consideradas discriminatórias.
Os confrontos na Câmara do Rio refletem tensões nacionais entre diferentes projetos políticos. A antecipação da disputa eleitoral de 2026 demonstra como questões locais se conectam com polarizações ideológicas mais amplas.
A estratégia de Eduardo Paes de renunciar ao cargo de prefeito para disputar o governo estadual cria oportunidade para que a oposição questione sua legitimidade e compromisso com os eleitores cariocas.
Os embates antecipados na Câmara Municipal sinalizam que a disputa pelo governo do Rio de Janeiro será marcada por alta polarização. A base de Paes busca construir narrativas que associem adversários a escândalos e práticas questionáveis.
Por outro lado, a oposição bolsonarista trabalha para caracterizar Paes como político oportunista e descomprometido com suas responsabilidades atuais. Esta dinâmica promete intensificar-se conforme se aproxima o período eleitoral.
As declarações de Alana Passos sobre pessoas trans inserem questões de direitos humanos no debate político local. A posição da vereadora reflete segmento conservador que rejeita avanços na legislação de proteção à população LGBTQIA+.
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