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Desafios da transformação digital em setores críticos
A tecnologia muitas vezes é encarada como uma ameaça, especialmente em ambientes onde cometer erros não é uma opção.
A transformação digital em áreas como saúde, energia, finanças, infraestrutura e setor público requer mais do que a simples adoção de novas ferramentas. Trata-se de um processo contínuo que demanda planejamento, segurança e uma mudança cultural nas organizações. Essa é a mensagem central da especialista em Tecnologia da Informação Juliane Urbano, que possui mais de 20 anos de experiência em projetos e operações de TI em larga escala.
Graduada em IT Project Management pela USP (Fundação Vanzolini) e com certificações internacionais, como Project Management Professional (PMP) e Scrum Master, Juliane lidera iniciativas tecnológicas em ambientes complexos e regulados. Para ela, a transformação digital deve ser vista como uma disciplina de execução.
“A transformação digital não é um projeto pontual, é um processo contínuo que precisa estar alinhado à estratégia do negócio”, enfatiza.
Conforme o relatório The Future of Jobs 2023, do Fórum Econômico Mundial, estima-se que 60% dos trabalhadores necessitarão de treinamento até 2027 devido às mudanças tecnológicas. Em setores regulados, avaliações da OCDE e do Banco Mundial destacam que as lacunas de competências digitais e barreiras culturais são obstáculos significativos para a transformação.
“Muitas vezes, a tecnologia é vista como ameaça e não como apoio, especialmente em ambientes onde o erro não é uma opção”, afirma Juliane.
Outro desafio é a dependência de sistemas legados, que não suportam os atuais padrões de segurança. A falta de planejamento também afeta os resultados, com cerca de 85% dos projetos de transformação digital no Brasil falhando devido à ausência de estratégia ou capacitação.
A segurança da informação é crucial nos setores críticos, onde ataques cibernéticos podem paralisar serviços essenciais, como redes de energia e sistemas hospitalares. Juliane defende que a segurança deve ser integrada desde o início dos projetos.
“Segurança não pode ser um complemento, ela precisa estar no desenho da solução desde o início”, ressalta.
Entre as boas práticas, a especialista recomenda iniciar projetos de forma gradual, com foco claro e parcerias estratégicas. A integração entre Tecnologia da Informação (TI) e Tecnologia Operacional (TO) é fundamental, especialmente na indústria e no setor energético. Para Juliane, as pessoas e a cultura organizacional são essenciais para a transformação.
“A mudança só acontece de verdade quando as pessoas participam do processo e compreendem seu papel nele”, conclui.
Nos diferentes setores, os avanços são perceptíveis. Na saúde, a inteligência artificial tem contribuído para diagnósticos e ampliado o uso da telemedicina. No setor financeiro, o Open Finance possibilita maior personalização de serviços. Na indústria, modelos como pagamento por uso e análise de dados otimizam a produção.
Para 2026, Juliane prevê a consolidação da inteligência artificial no centro das operações e um aumento da automação industrial com foco em segurança. O futuro da transformação digital, segundo ela, depende da integração entre tecnologia, gestão e pessoas.
“Não se trata apenas de inovar, mas de garantir continuidade, confiança e resultados sustentáveis”, finaliza Juliane Urbano.
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