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https://olhardigital.com.br/2026/03/02/inteligencia-artificial/como-o-pentagono-usou-o-claude-no-ira-enquanto-trump-bania-a-anthropic

Pentágono utiliza Claude no Irã enquanto Trump proíbe a Anthropic

No último sábado (28), com os Estados Unidos iniciando a Operação Epic Fury, uma grande ofensiva aérea contra alvos no Irã, o Departamento de Defesa enfrentou uma inusitada contradição tecnológica.

Conforme noticiado pela Reuters e pelo Wall Street Journal, o Pentágono recorreu a ferramentas de inteligência artificial da Anthropic para coordenar os ataques, apenas um dia após o presidente Donald Trump ter determinado o banimento da empresa, considerando-a um “risco à segurança nacional”.

Inteligência artificial em ação

A ofensiva contou com uma variedade de armamentos, como bombardeiros furtivos B-2 e mísseis Tomahawk. Contudo, o “cérebro” por trás de parte da operação foi Claude, o modelo de linguagem da Anthropic, que compete diretamente com o ChatGPT.

Segundo o WSJ, o Comando Central dos EUA (Centcom) integrou a ferramenta para avaliações de inteligência, identificação de alvos e simulação de cenários de batalha. A ironia do momento é que o uso intensivo da IA ocorreu poucas horas após Trump assinar uma diretiva determinando que as agências federais interrompessem o uso dos programas da startup.

A crise entre o governo e a Anthropic teve início quando o CEO da empresa, Dario Amodei, se recusou a atender a um ultimato do Pentágono. O Secretário de Defesa, Pete Hegseth, exigia “acesso irrestrito” aos modelos de IA, o que exigiria a remoção de restrições de segurança.

A Anthropic, que possui um contrato de US$ 200 milhões com o governo desde 2025, estabeleceu uma linha ética clara:

Vigilância: recusa em permitir o uso da IA para monitoramento em massa de cidadãos.

Autonomia bélica: proibição do uso do sistema em armas totalmente autônomas e letais sem supervisão humana.

Em sua rede social, Trump criticou a posição da empresa, alegando que o “egoísmo” da startup colocava as tropas americanas em risco. Em contrapartida, a Anthropic defende que a tecnologia atual não é confiável o suficiente para operar armas letais sem o controle final de um ser humano, conforme reportado pelo G1.

Apesar de o governo ter classificado a Anthropic como um “risco à cadeia de suprimentos” – um rótulo geralmente atribuído a adversários estrangeiros –, a desconexão não será imediata. O Wall Street Journal ressalta que a IA da empresa está profundamente integrada nas operações militares, tendo sido crucial até na captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, em fevereiro.

Para substituir Claude, o Pentágono já estabeleceu acordos com a OpenAI e a xAI, de Elon Musk. No entanto, especialistas consultados pela imprensa americana alertam que o processo de transição pode levar pelo menos seis meses, devido à complexidade da integração dos sistemas via fornecedores como a Amazon e a Palantir.

Resistência do Vale do Silício

O caso da Anthropic parece refletir um movimento maior. Conforme apontado pela Axios, grandes corporações americanas, de varejistas como Costco a gigantes industriais como a 3M, começam a mostrar uma “espinha dorsal” contra as políticas da administração Trump, priorizando valores de mercado e diretrizes éticas em vez de conformidade imediata.

Na batalha do Irã, a Operação Epic Fury pode ter sido um sucesso militar, mas expôs uma vulnerabilidade estratégica: a dependência de uma inteligência que o próprio governo não consegue (ou não é autorizado a) controlar totalmente.


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