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Avanço na Prevenção de Cânceres Associados ao HPV
A decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de ampliar a indicação da vacina nonavalente contra o HPV é um marco importante na prevenção de cânceres relacionados ao vírus. A partir de 10 de fevereiro de 2026, a vacina Gardasil 9 contará oficialmente em sua bula com a recomendação para a prevenção de cânceres de orofaringe e outros tumores de cabeça e pescoço.
Essa atualização não introduz uma nova vacina, mas reconhece no Brasil as evidências científicas já consolidadas globalmente sobre a eficácia do imunizante contra esses tipos de câncer.
O professor doutor em Saúde Pública da Universidade Estácio, Bruno Araújo, destaca a importância dessa medida como um fortalecimento da vacinação no controle de doenças oncológicas. Segundo ele, “a ciência já demonstrava essa eficácia há alguns anos. O que ocorre agora é um alinhamento regulatório que traz mais clareza para profissionais de saúde e para a população”.
A Gardasil 9 é chamada de nonavalente pois protege contra nove subtipos do HPV, incluindo o tipo 16, responsável significativo por tumores de orofaringe. A vacina já era amplamente recomendada para a prevenção do câncer do colo do útero, com potencial para reduzir em até 90% os casos, além de prevenir verrugas genitais e outras lesões associadas ao vírus.
Com a nova indicação, tanto meninas quanto meninos, além de mulheres e homens entre 9 e 45 anos, agora têm a recomendação ampliada para a prevenção de cânceres de garganta, base da língua e amígdalas relacionados ao HPV.
Cerca de 70% dos cânceres de orofaringe estão ligados ao vírus. Diferentemente do câncer de colo do útero, que possui um rastreamento organizado por meio do exame de Papanicolau, os tumores de cabeça e pescoço não têm um método estruturado de detecção precoce.
“Isso torna a vacinação ainda mais estratégica, pois esses tumores muitas vezes são diagnosticados em estágios avançados”, ressalta Bruno Araújo.
O professor explica que o benefício da vacina ocorre em duas dimensões: a proteção individual é maximizada quando a vacina é administrada antes do início da vida sexual, enquanto, no âmbito coletivo, a imunização ajuda a reduzir a circulação do vírus na população, diminuindo gradualmente a incidência de tumores associados ao HPV.
Nos Estados Unidos, o Food and Drug Administration (FDA) já havia incorporado essa indicação na bula da vacina em 2020, e agora o Brasil segue essa tendência.
Atualmente, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) oferece gratuitamente a vacina quadrivalente para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de grupos especiais. A versão nonavalente está disponível apenas na rede privada.
A possível inclusão da Gardasil 9 no Sistema Único de Saúde depende de avaliações técnicas e orçamentárias por órgãos como a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
“Hoje, a quadrivalente já demonstra alta efetividade e viabilidade econômica para o sistema público. No entanto, a discussão sobre a ampliação da cobertura é válida e deve considerar o impacto epidemiológico e a sustentabilidade financeira”, afirma o professor da Estácio.
Para Bruno Araújo, o foco deve ser garantir que adolescentes completem o esquema vacinal. “A vacina contra o HPV é uma das principais ferramentas de prevenção de câncer disponíveis atualmente. Precisamos intensificar campanhas, combater a desinformação e expandir a cobertura vacinal. Essa é uma política pública que salva vidas”, conclui.
A atualização da Anvisa reforça a mensagem de que a prevenção do câncer deve começar na infância e adolescência, com a vacinação sendo uma das estratégias mais eficazes da saúde pública contemporânea.
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