g1 https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/03/11/pm-morta-com-tiro-em-casa-marido-passa-a-ser-investigado-apos-justica-mandar-apurar-como-feminicidio.ghtml

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PM morta com tiro em casa: marido passa a ser investigado após Justiça tratar caso como feminicídio

Decisão ocorre após laudo apontar que havia lesões no pescoço e no rosto da vítima. Policial morreu no apartamento onde morava com o marido.

Por Sabina Simonato, Karina Cordeiro, Vinicius Requena, TV Globo e g1 SP — São Paulo

11/03/2026 07h13 Atualizado 11/03/2026

Marido de PM morta passa a ser investigado após Justiça tratar caso como feminicídio

O marido da policial militar Gisele Alves Santana, encontrada morta em casa com um tiro na cabeça, passou a ser considerado investigado no caso após a Justiça de São Paulo determinar que a polícia apure a morte como feminicídio.

Inicialmente, o registro foi como suicídio, mas mudou para morte suspeita após a família dela contestar essa versão, e agora é investigado como feminicídio, cujas penas variam de 20 a 40 anos de reclusão.

A decisão ocorreu depois de um novo laudo necroscópico, realizado após a exumação do corpo, apontar lesões no rosto e no pescoço da vítima. Segundo peritos, há sinais de que ela desmaiou antes de ser baleada na cabeça e que não apresentou defesa.

O marido de Gisele, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, estava no apartamento onde o casal morava e foi quem acionou o socorro no dia da morte, ocorrida em 18 de fevereiro.

A defesa dele disse que ainda não teve acesso aos laudos necroscópicos e que aguarda que sejam anexados no processo. Lamentou ainda os vazamentos dos documentos e dos vídeos e disse que não foi decretada a prisão do tenente-coronel.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que segue investigando o caso e que vai preservar detalhes devido ao sigilo judicial.

Ainda nesta quarta-feira deve haver uma reunião entre integrantes da Secretaria da Segurança e do Ministério Público, o perito e o delegado do caso, que aguardam a liberação de outro laudo. A partir daí, poderá haver o pedido de prisão do tenente-coronel.

VÍDEO mostra policiais indo limpar apartamento depois de morte

Caso da PM morta em São Paulo. — Foto: Fantástico

Laudo aponta lesão no pescoço da PM morta baleada

Alguns pontos chamam a atenção sobre a morte. Um deles é o horário da morte. Uma vizinha do casal afirmou à polícia que acordou às 7h28 depois de ouvir um estampido único e forte vindo do apartamento.

“Minha esposa é policial feminina. Ela se matou com um tiro na cabeça. Manda o resgate e uma viatura aqui agora, por favor”, afirmou Neto na ligação.

Minutos depois, às 8h05, ele ligou para o Corpo de Bombeiros e disse que a mulher ainda estava respirando. As equipes chegaram ao local às 8h13.

Outro questionamento é sobre o disparo. Um dos socorristas relatou que a arma parecia estar "bem encaixada" na mão da mulher, de uma forma que nunca havia visto em casos de suicídio. Por achar a cena incomum, decidiu fotografá-la.

O profissional também afirmou que o sangue já estava coagulado quando a equipe chegou ao apartamento e que não havia cartucho de bala no local.

Socorrista diz que desconfiou da forma em que arma estava encaixada na mão de PM encontrada baleada — Foto: Reprodução/TV Globo

No mesmo inquérito da Polícia Civil, depoimentos de socorristas que atenderam a ocorrência levantam questionamentos sobre a versão apresentada pelo marido da vítima.

O tenente-coronel disse que entrou no banheiro para tomar banho por volta das 7h e, cerca de um minuto depois, ouviu um barulho que pensou ser de uma porta batendo. Ao sair do banheiro, afirmou ter encontrado Gisele caída na sala.

Um sargento do Corpo de Bombeiros com 15 anos de experiência relatou que, ao chegar ao apartamento, encontrou Geraldo de bermuda, sem camisa e inteiramente seco.

Ele também afirmou que o chuveiro do banheiro do corredor estava ligado, mas não havia poças de água no chão ou no corredor.

A observação foi reforçada por um tenente da PM cuja equipe foi a primeira a chegar ao local dos fatos. Ele apontou que nem Geraldo nem Gisele aparentavam estar molhados ou terem tomado banho antes do disparo.

Outro ponto que chamam a atenção da equipe de resgate foi o estado emocional do marido. O sargento do Corpo de Bombeiros afirmou que não viu nenhum tipo de desespero por parte do tenente-coronel nem o viu chorando.

Um segundo bombeiro também estranhou a conduta do marido porque ele "falava calmamente" ao telefone, questionava o atendimento prestado pelos bombeiros e insistia que a vítima fosse levada imediatamente ao hospital.

Entre os contatos feitos por Geraldo na manhã da ocorrência, um deles chamou a atenção da família da policial: a ligação para o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

Ele chegou ao prédio às 9h07 e subiu para o apartamento com o advogado da família. O advogado questionou a presença do magistrado no local.

9h18: o desembargador reapareceu no corredor.

9h29: Após 11 minutos, o tenente-coronel surge com outra roupa.

Entrada e saída de policiais do apartamento

Uma câmera de segurança registrou a entrada e a saída de três policiais no apartamento onde Gisele morreu. Segundo uma testemunha, as agentes foram ao local cerca de 10 horas após a ocorrência para fazer a limpeza do imóvel.

Ainda de acordo com a testemunha, as agentes chegaram ao prédio às 11h00 e levaram a polícia a uma porta esquecida. No entanto, a porta era aberta e as agentes encontraram um suporte de polícia que parecia estar "mal instalado".

A polícia investiga ainda o caso e apela à comunidade para compartilhar informações e denúncias.


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