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Estupro coletivo contra menores: meninas adolescentes são as principais vítimas

Um caso recente investigado em Copacabana traz à tona uma das formas mais graves de violência sexual. Estudo revela que 17,7% das mulheres e 12,5% dos homens brasileiros com 20 anos ou mais relataram ter sido vítimas de violência sexual durante a infância ou adolescência.

Um estupro coletivo no Rio de Janeiro, envolvendo uma adolescente de 17 anos, gerou grande repercussão. Quatro jovens são réus e tiveram mandados de prisão emitidos.

Meninas adolescentes, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade ou com histórico de traumas, são as principais vítimas desses crimes.

A relação entre agressores e vítimas costuma ser próxima, o que intensifica o trauma. Especialistas apontam que apenas 7,5% dos casos de estupro são denunciados. Em 2023, 71% dos estupros registrados no Brasil envolveram vítimas vulneráveis.

O impacto sobre crianças e adolescentes é devastador. De acordo com um psiquiatra, "os desafios na investigação exigem reformas urgentes nas políticas públicas, educação e justiça".

Detalhes do caso em Copacabana

A denúncia de um estupro coletivo ocorrida na noite de 31 de janeiro chocou a sociedade. A vítima foi convidada por um ex-namorado para um encontro, mas acabou sendo violentada por amigos dele. O exame de corpo de delito constatou lesões compatíveis com violência física e escoriações na região genital.

Esse triste episódio evidencia uma das formas mais severas de violência sexual e reacende o debate sobre políticas de prevenção.

Meninas adolescentes são frequentemente as principais vítimas, conforme explica o professor de psiquiatria Danilo Baltieri, que já atendeu mais de mil agressores sexuais em três décadas de carreira.

A subnotificação é um desafio, dificultando a precisão das estatísticas sobre estupro coletivo. Estima-se que mais de 370 milhões de meninas e mulheres em todo o mundo tenham sido vítimas de abuso sexual antes dos 18 anos.

Baltieri destaca que apenas 7,5% dos casos de estupro são reportados. Um estudo recente revelou que 17,7% das mulheres e 12,5% dos homens brasileiros relataram ter sofrido violência sexual na infância.

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024 mostram que 71% dos casos de estupro em 2023 envolveram vítimas vulneráveis. O estado de São Paulo lidera em números absolutos, com 11.330 casos registrados.

Meninas de 12 a 17 anos: as mais afetadas

Pesquisas indicam que meninas entre 12 e 17 anos são as mais frequentemente impactadas por casos de estupro.

No cenário global, 89% das vítimas de estupro são mulheres, sendo que 81% delas têm entre 12 e 17 anos. Meninos também são vítimas, mas principalmente nas faixas etárias mais jovens.

No Brasil, 88% das vítimas de violência sexual são meninas, com um pico aos 13 anos. Baltieri ressalta que o impacto sobre crianças e adolescentes é ainda mais devastador, afetando seu desenvolvimento psicológico e emocional.

Os riscos de infecções sexualmente transmissíveis e problemas de saúde mental aumentam significativamente após um estupro coletivo. Estima-se que 30% das vítimas sofram lacerações himenais e 38% apresentem ISTs.

Relação entre agressores e vítimas

Nos casos de estupro coletivo, a relação entre agressores e vítimas costuma ser próxima, dificultando as denúncias. Estudos mostram que 93% das vítimas com menos de 18 anos têm algum tipo de relação com o agressor.

No Brasil, 86% dos autores são conhecidos da vítima, sendo que 67% dos casos ocorrem na residência da vítima.

Baltieri explica que a investigação desses crimes enfrenta obstáculos estruturais, psicológicos e sociais. Apenas 30% dos casos de assalto sexual contra crianças são denunciados, com motivos que incluem medo de represálias e vergonha.

Para ele, é crucial que a sociedade priorize a prevenção e o apoio às vítimas, pois o silêncio apenas perpetua o crime.

Baltieri também observa que não há uma separação clara entre submissão e prazer sexual por parte dos criminosos, destacando a presença do que os especialistas chamam de "thriller motivation".

O caso em detalhes

Em Copacabana, a vítima foi convidada a um apartamento por um ex-namorado. No local, enquanto mantinha relações sexuais com ele, outros quatro rapazes entraram no quarto e a forçaram. O exame de corpo de delito confirmou lesões físicas e escoriações.

Na manhã de 3 de março, um dos foragidos, Mattheus Verissimo Zoel Martins, de 19 anos, se entregou à polícia. Outros três investigados ainda estavam foragidos.

O adolescente que convidou a vítima também é investigado, e seu caso foi encaminhado à Vara da Infância e Juventude.

Dois dos envolvidos são acusados de outro caso semelhante, onde a vítima tinha 14 anos.


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