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Lula propõe acordo entre trabalhadores, empresários e governo sobre jornada de trabalho

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfatizou, nesta terça-feira (3), a importância de um entendimento entre empresários, trabalhadores e governo a respeito da eliminação da escala de trabalho 6x1. Ele também sugeriu que as jornadas de trabalho sejam ajustadas conforme as especificidades de cada categoria.

Em seu discurso de abertura da 2ª Conferência Nacional do Trabalho, realizada no Anhembi, em São Paulo, Lula destacou a necessidade de encontrar uma solução que não prejudique os trabalhadores nem a economia do país. "A jornada ideal pode variar conforme a categoria. Embora possamos ter uma regra geral, a regulamentação precisa considerar as especificidades de cada setor", afirmou.

A redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais se tornou uma das principais bandeiras de reeleição do presidente. No entanto, essa proposta enfrenta resistência do setor produtivo, que argumenta que a mudança pode elevar os custos e, consequentemente, os preços para o consumidor.

Lula estava acompanhado de Geraldo Alckmin, vice-presidente, e dos ministros Luiz Marinho (Trabalho), Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento). Tebet, ao defender o fim da escala 6x1, declarou que "afirmar que o Brasil quebrará com essa mudança demonstra falta de conhecimento da realidade do país".

A ministra ressaltou que estudos realizados pelo Ipea mostram que é justo garantir a dignidade dos trabalhadores, e que a boa vontade é essencial para discutir mudanças.

Fernando Haddad também incentivou a população a se envolver na discussão, lembrando que políticas públicas mal concebidas no passado resultaram em desafios econômicos. Ele enfatizou a necessidade de uma abordagem que priorize a produção de qualidade e a utilização eficaz da força de trabalho.

Luiz Marinho destacou que, apesar da possível elevação nos custos, a redução da jornada pode melhorar significativamente as condições de trabalho e a qualidade de vida. "Devemos investir em produtividade, tecnologia e prazer no trabalho", afirmou.

O ministro também revelou que o governo pode enviar um projeto de lei urgente ao Congresso Nacional sobre o fim da jornada 6x1, caso o assunto não avance conforme o esperado nas discussões legislativas.

A proposta, se apresentada, trancará a pauta do Congresso e deverá ser analisada em até 45 dias pela Câmara e, posteriormente, pelo Senado.


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