g1 https://g1.globo.com/politica/blog/andreia-sadi/post/2026/03/11/eua-nao-levarao-em-conta-posicao-do-governo-brasileiro-sobre-classificar-o-pcc-como-organizacao-terrorista-diz-gakiya.ghtml

https://g1.globo.com/politica/blog/andreia-sadi/post/2026/03/11/eua-nao-levarao-em-conta-posicao-do-governo-brasileiro-sobre-classificar-o-pcc-como-organizacao-terrorista-diz-gakiya.ghtml

EUA não levarão em conta posição do governo brasileiro sobre classificar o PCC como organização terrorista, diz Gakiya

Promotor que integra o Gaeco em Presidente Prudente (SP) esteve com assessores de Marco Rubio nos últimos meses.

Por Andréia Sadi, Isabela Leite

11/03/2026 15h56

O promotor de justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MP-SP) Lincoln Gakiya, afirmou em entrevista ao Estúdio I na tarde desta quarta-feira (11) que os Estados Unidos não irão levar em conta a posição do governo brasileiro sobre classificar PCC como organização terrorista.

Nos últimos meses, ele participou de encontros com assessores diretos do secretário de estado dos EUA, Marco Rubio. "Eles queriam conhecer o funcionamento do PCC", disse o promotor.

Gakiya investiga a facção criminosa há 20 anos, vive há mais de dez anos sob escolta policial 24 horas por dia por causa das ameaças de morte recorrentes que recebe. Ele é ameaçado pela facção ao menos desde 2005.

Em 2025, representantes norte-americanos estiveram em Brasília (DF) e São Paulo (SP) para obter informações detalhadas sobre a ameaça do PCC e os impactos da facção não só para o Brasil, mas também internacionalmente.

Nesta semana, Gakiya volta a se reunir com representantes do governo dos EUA para compartilhar informações sobre o crime organizado e a atuação do PCC.

EUA não levarão em conta posição do Brasil sobre classificar o PCC como organização terrorista

Gakiya reforçou sua postura de que o PCC não é uma organização terrorista, mas, sim, uma organização criminosa transnacional com características de máfia.

"O discurso político se apropriou desse tema. Então, parte da população, influenciada por uma corrente política, acha que classificar essas facções como terroristas vai nos auxiliar no endurecimento de penas ou na recuperação de ativos", disse. ""Outros acham que vai haver uma intervenção dos Estados Unidos no Brasil para acabar com essas facções, o que, de fato, não é a realidade. (...) O que a gente precisa é de cooperação e atuação conjunta, não é meramente uma classificação e uma intervenção de ordem militar que vai auxiliar o combate."

Gakiya alertou que, em vez de ajudar, a classificação de terrorismo pode criar barreiras burocráticas e econômicas que hoje não existem.

"O governo brasileiro tenta frear a discussão em curso nos Estados Unidos para classificar as facções Comando Vermelho e o Primeiro PCC como organizações terroristas, pelo menos, até a conversa presencial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em Washington. Segundo fontes da diplomacia, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, pediu por telefone ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que não encaminhe ao Parlamento dos EUA a decisão de classificar PCC e CV como grupos terroristas.

A solicitação foi feita porque, se Rubio fizer isso, o Congresso norte-americano tem um prazo de sete dias para fazer a análise. Lincoln Gakiya entende que o PCC e o Comando Vermelho não se tratam de organizações terroristas e que se tratam de organizações criminosas transnacionais, com características até de máfia.

O chanceler pediu que Rubio aguarde o encontro entre Lula e Trump, já que o governo brasileiro quer mostrar, na reunião, como tem atuado no combate ao crime organizado no país.


← Voltar para as notícias