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Posição da Rússia e da China no Conflito Atual

A relação entre Rússia e China com o Irã tem sido analisada à luz do atual conflito, revelando nuances sobre a verdadeira profundidade dessa aliança.

03/03/2026 09h13 Atualizado 03/03/2026

A Rússia manifestou "profunda decepção" e condenou a "agressão aberta" contra o Irã, mas seu apoio se mantém em um nível retórico, evitando confrontos diretos devido ao foco na situação na Ucrânia.

A China, como principal parceira econômica do Irã, também se opôs à ação, atuando como um escudo diplomático.

Os ataques dos Estados Unidos e de Israel tiveram início no último sábado.

Apesar de um compromisso entre Rússia e Irã de compartilhar informações e realizar exercícios conjuntos para "garantir a segurança regional", não há garantias de defesa mútua em caso de ataque.

A situação se torna mais complexa com o Reino Unido permitindo que os EUA utilizem suas bases aéreas para operações "defensivas" contra o Irã, levantando questões sobre o tipo de apoio que o Irã pode esperar de seus aliados.

A Rússia e a China têm laços diplomáticos, comerciais e militares com o Irã, mas o conflito atual pode esclarecer até onde esses países estão dispostos a ir em seu apoio.

Apoio Limitado da Rússia

Embora o Irã tenha se tornado um dos aliados mais próximos da Rússia desde a invasão da Ucrânia, seu apoio permanece essencialmente retórico. A resposta da Rússia aos ataques dos EUA e de Israel foi de indignação, mas sem ações que a colocassem diretamente no confronto, como analisou Sergei Goryashko, da BBC News Rússia.

O porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, expressou "profunda decepção" com a escalada da situação, apesar das negociações em curso entre os EUA e o Irã.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia condenou o que chamou de "agressão não provocada" e destacou assassinatos políticos e a "caça" a líderes de Estados soberanos.

No domingo, o presidente Vladimir Putin enviou condolências ao presidente iraniano Masoud Pezeshkian pela morte do líder supremo Ali Khamenei, descrevendo a situação como uma "violação cínica da moralidade humana".

Entretanto, a Rússia evitou críticas diretas ao presidente dos EUA, Donald Trump, e continua a valorizar esforços de mediação em relação à Ucrânia.

Peskov afirmou que a Rússia "confia apenas em si mesma" e busca defender seus próprios interesses, o que ajuda a explicar a natureza retórica de seu apoio ao Irã, que se alinha à visão russa de uma ordem multipolar.

Apoio Econômico da China

A China, maior parceiro comercial do Irã, condenou a morte do aiatolá iraniano e se opõe à estratégia dos EUA de promover mudanças de regime.

A relação entre China e Irã é baseada em uma parceria econômica vantajosa. A China mantém-se como a principal tábua de salvação econômica do Irã, adquirindo grandes volumes de petróleo a preços com desconto por meio de métodos que contornam sanções.

Um acordo estratégico de 25 anos, assinado em 2021, solidificou essa relação, prometendo investimentos maciços em infraestrutura e telecomunicações.

A abordagem da China frente às tensões entre Irã e Israel tem sido de contenção estratégica, promovendo a "moderação" e responsabilizando a "interferência externa", referindo-se aos EUA.

Apesar de seu apoio, a China não oferece intervenção militar direta, preferindo deixar que os EUA intervenham desde que não provoquem uma instabilidade regional que afete os preços globais do petróleo.

A eventual queda do regime iraniano representaria uma derrota geopolítica significativa para a China, já que o Irã é um importante fornecedor de energia e um contrapeso à influência americana na região.

Enquanto Brasil, China e Rússia condenaram os ataques, outros membros do Brics, como Arábia Saudita e Índia, adotaram posturas diferentes, criando um cenário de divergência no bloco.

A crise atual no Irã expõe contradições nas dinâmicas do grupo, questionando sua capacidade de ação coletiva diante de interesses geopolíticos tão distintos.

Sem uma invasão em larga escala, as estruturas políticas e militares do Irã provavelmente permanecerão, enquanto a China deverá continuar sua "estratégia de longo prazo", buscando relações com futuros líderes iranianos. A Rússia, por sua vez, buscará suas próprias oportunidades na situação.


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