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O que é um aiatolá e qual é o papel do líder supremo do Irã?

A figura do aiatolá e a do líder supremo são distintas dentro do sistema político iraniano. Compreender a dinâmica da República Islâmica, que entrelaça religião e política, é fundamental para entender o papel do líder supremo e como será escolhido um sucessor após a morte de Ali Khamenei.

O Irã é uma república islâmica estabelecida após a Revolução de 1979, que combina eleições com uma liderança religiosa. O aiatolá que ocupa o cargo de líder supremo detém controle sobre as Forças Armadas, o Judiciário e a política externa do país. Apesar da existência de um presidente, ele opera sob a supervisão do aiatolá.

A morte de Ali Khamenei, ocorrida recentemente, resultou em uma crise sem precedentes na liderança do regime iraniano. Desde 1989, Khamenei ocupava a posição mais influente do país, acima do presidente e do Parlamento.

Khamenei foi o segundo líder supremo desde a Revolução Islâmica, e agora, sob um comando interino, o país se vê na necessidade de escolher um novo líder que unifique a autoridade política e religiosa. O sucessor deverá ser escolhido entre os aiatolás.

Mas, o que realmente define um aiatolá e por que essa posição é tão significativa no Irã?

Um aiatolá é um título honorífico concedido a clérigos muçulmanos xiitas de alto nível. O termo pode ser traduzido como "sinal de Deus". Embora antes fosse restrito a um número limitado de religiosos, atualmente milhares de xiitas possuem esse título após atingirem um nível avançado de estudos religiosos.

Este título está intimamente relacionado a um conceito de herança do conhecimento de Maomé, o fundador do Islã. Ao contrário da tradição sunita, que não reconhece aiatolás, a crença xiita se apoia na sucessão legítima de uma linhagem responsável pela preservação dos ensinamentos do profeta.

O que significa ser o líder supremo no Irã?

Desde a Revolução de 1979, um colégio de clérigos, conhecido como Assembleia dos Peritos, exerce influência política no Irã. Dentre esses clérigos, um é designado como líder supremo. Embora exista um presidente, o líder supremo possui poder de veto sobre todas as decisões governamentais.

Teoricamente, o líder supremo presta contas à Assembleia dos Peritos, composta por 88 membros, que tem a responsabilidade de escolher e monitorar o líder supremo, podendo até mesmo destituí-lo, se necessário.

Esse arranjo cria uma estrutura política onde o líder supremo detém um poder centralizado, sem enfrentar oposição significativa. Desde 1979, apenas dois aiatolás exerceram essa função: Ruhollah Khomeini, líder da revolução, e Ali Khamenei.

O sistema político iraniano é um híbrido de uma república e uma liderança religiosa. Assim, embora haja um presidente, ele opera sob a supervisão do líder supremo.

Os poderes do líder supremo estão delineados na Constituição iraniana. Segundo o artigo 110, ele é a máxima autoridade e tem a última palavra em assuntos cruciais do país, incluindo:

- Definição das diretrizes da política externa.
- Nomeação de chefes do Judiciário e da mídia estatal.
- Indicação de membros de órgãos estratégicos.

Na prática, o líder supremo exerce influência sobre quase todos os centros de poder do país e pode permanecer no cargo indefinidamente.

Qual é o papel do presidente?

O presidente, atualmente Masoud Pezeshkian, é eleito pelo voto popular e gerencia a administração diária do país, incluindo economia e políticas públicas. Contudo, ele não pode desafiar o líder supremo em questões consideradas estratégicas, como defesa e política internacional.

Assim, embora existam eleições que conferem um caráter democrático ao sistema, o verdadeiro poder reside com o líder supremo.

Com a morte de Ali Khamenei, o aiatolá Alireza Arafi, um dos mais próximos colaboradores do falecido líder, assume temporariamente a liderança até que a Assembleia dos Peritos escolha um novo sucessor.

Esta decisão é extremamente sensível, uma vez que o líder supremo não é apenas uma figura religiosa, mas também o detentor do poder político, militar e institucional do Irã. Em um momento de crescente tensão com Estados Unidos e Israel, a escolha do novo líder pode impactar profundamente os rumos do conflito e o futuro da república islâmica.


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