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Países do Golfo ajustam estratégias diante da ameaça iraniana
Monarquias ricas em petróleo enfrentam um dilema ao se posicionarem contra o Irã, temendo a associação com Israel.
03/03/2026 07h16 Atualizado 03/03/2026
O conflito no Oriente Médio avança em direção à Europa após o ataque do Irã a uma base militar britânica no Chipre.
Tradicionalmente vistos como modelos de estabilidade e riqueza, os seis países do Golfo Pérsico agora se veem ameaçados pela possibilidade de serem puxados para a guerra entre os EUA e Israel contra o Irã.
Desde o último sábado, as nações hesitam sobre como responder aos ataques iranianos, que atingiram hotéis de luxo, portos, aeroportos e refinarias no território deles.
A ofensiva militar dos EUA e de Israel contra o regime teocrático provocou uma rápida retaliação do Irã, que mirou em países vizinhos com bases americanas.
Os ataques não se limitaram às instalações dos EUA e atingiram a infraestrutura de Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e o sultanato de Omã, que havia mediado negociações entre os EUA e o Irã. Jordânia e Iraque também foram afetados.
As defesas dos países agora se apressam para interceptar drones e mísseis lançados pelo Irã.
A fumaça é visível a partir de um navio ancorado em Dubai.
Nos primeiros três dias, os efeitos foram claros: o tráfego aéreo na região, crucial na conexão entre a Europa e o Oriente, foi parcialmente suspenso, impactando o turismo e abalando a reputação de países que se autodenominam como oásis de prosperidade.
Essa tática do regime iraniano, no entanto, provocou uma resposta firme entre os vizinhos. A reação ao Irã deve ser coordenada pelo Conselho de Cooperação do Golfo. O Catar, maior aliado do Irã na região, sofreu ataques de drones em uma instalação de gás e em áreas civis, incluindo o aeroporto de Doha, e manifestou descontentamento com a agressão.
“Um ataque como este não pode ficar sem retaliação. O Irã terá que pagar um preço por este ataque flagrante contra o nosso povo”, afirmou o Ministério de Relações Exteriores do Catar.
Segundo o pesquisador Steven Cook, do Council on Foreign Relations, a incerteza será a principal preocupação dos líderes do Golfo daqui em diante. “Agora que a ação militar começou, o maior temor deles provavelmente é a sobrevivência do regime iraniano. Não querem um vizinho enfraquecido e vingativo.”
A perspectiva de um conflito prolongado aumenta com a retórica de figuras como Donald Trump, que suscita preocupações sobre uma guerra duradoura contra o Irã.
Os relatos de brasileiros na região incluem explosões e cancelamento de voos, enquanto a situação se intensifica.
A guerra no Oriente Médio também levanta questões sobre o suporte que Rússia e China estão dispostas a oferecer ao Irã, além das implicações econômicas, com o preço do petróleo já disparando mais de 7% após o fechamento do Estreito de Ormuz.
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