g1 https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/03/08/pm-morta-em-sp-imagens-e-audios-ineditos.ghtml

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PM morta em SP: imagens e áudios inéditos revelam que marido trocou de roupa após disparo

Família da soldado morre em aperto de força em São Paulo

O Fantástico teve acesso a imagens e áudios inéditos que mostram os momentos após a soldada da Polícia Militar Gisele Alves ser baleada na cabeça no apartamento onde morava com o marido, no bairro do Brás, em São Paulo, no dia 18 de fevereiro de 2026.

As gravações incluem ligações feitas para serviços de emergência e imagens das câmeras de segurança do andar do prédio.

O primeiro pedido de socorro foi feito pelo marido de Gisele, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Neto.

Pouco depois, ele também entrou em contato com o Corpo de Bombeiros.

Caso da PM morta em São Paulo. — Foto: Fantástico

Imagens das câmeras de segurança do andar do prédio mostram o momento em que o tenente-coronel aparece no corredor.

Às 8h02, ele surge ao telefone, sem camisa. Três minutos depois, faz outra ligação.

Às 8h13, três bombeiros chegam ao local.

Um dos socorristas, com 15 anos de experiência, relatou em depoimento que achou a cena estranha e decidiu fotografá-la.

Segundo ele, a arma estava bem encaixada na mão de Gisele, de uma forma que nunca tinha visto em casos de suicídio.

Outros detalhes também chamaram atenção: o sangue já estava coagulado e o cartucho da bala não foi encontrado. O tenente-coronel afirmou que estava no banho no momento do disparo, mas estava seco e não havia água no chão do apartamento.

Áudios gravados no local mostram o momento em que o tenente-coronel fala sobre a situação do relacionamento e a vida financeira do casal.

Ele contou que os dois estavam sozinhos desde a noite anterior e que discutiram a relação.

“O jeito que a gente está vivendo não compensa. Eu estou gastando aí sete mil por mês para viver com dois estranhos. Eu quero me separar”, relatou.

Segundo o tenente-coronel, a discussão continuou na manhã em que Gisele foi baleada.

“Eu entrei no banho. Fazia um minuto que eu estava debaixo do chuveiro quando escutei o barulho. Achei que fosse ela batendo a porta. Quando abri o box, ela estava caída no chão, no sangue. Ela deu um tiro na cabeça”, afirmou.

Os socorristas conseguiram reanimar Gisele no local. Enquanto tentavam salvá-la, disseram que o marido não demonstrava desespero e permaneceu no telefone com superiores.

Às 8h55, a polícia foi retirada do prédio ainda com vida, em uma maca. O tenente-coronel aparece sentado no corredor.

Entre os contatos feitos por Geraldo naquela manhã, um chama a atenção da família de Gisele: a ligação para o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Ele chega ao local às 9h07. Os dois sobem para o apartamento.

O advogado que representa a família quer entender por que o desembargador estava no local.

O desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo. — Foto: Fantástico

Às 9h18, o desembargador reaparece no corredor. Onze minutos depois, o tenente-coronel surge com outra roupa.

Testemunhas disseram que ele tomou banho nesse intervalo, mesmo após ter sido orientado por policiais a não fazer isso.

Policiais militares que participaram da ocorrência afirmaram ainda que ele voltou com cheiro forte de produto químico.

Laudos da Polícia Técnico-Científica também indicam que a cena do crime não foi preservada corretamente, o que impediu os peritos de determinar com precisão a dinâmica do disparo e quem atirou.

Um vídeo gravado após a saída dos socorristas mostra o apartamento com móveis fora do lugar, panos e produtos de limpeza espalhados pelo chão.

“O apartamento estava uma verdadeira bagunça. O local não foi preservado”, afirma o advogado.

Outro ponto levantado pelos investigadores aparece no depoimento de uma vizinha.

Ela disse que acordou às 7h28 com um estampido forte.

“Essa lacuna precisa ser explicada. A família merece saber o que aconteceu”, diz o advogado.

Em nota, a defesa do tenente-coronel Geraldo Neto diz que, até agora, ele não é investigado, suspeito ou indiciado no processo.

E que, desde o início, o tenente-coronel tem colaborado com as autoridades. A nota também afirma que confia nas investigações e que Geraldo está à disposição para colaborar com a elucidação dos fatos.

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