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Estreito de Ormuz vira palco de batalha naval que preocupa mercado de petróleo
Bloqueio da principal rota do petróleo mundial ocorre em meio a ataques a navios, confronto com os Estados Unidos e risco de crise energética global
08/03/2026 20h53
O Estreito de Ormuz se tornou o foco das atenções da guerra no Irã. Nesta semana, empresas de transporte marítimo e seguradoras passaram a receber mensagens atribuídas à Marinha da Guarda Revolucionária do Irã anunciando a proibição de navegação pelo Estreito de Ormuz.
Na segunda-feira, o governo iraniano confirmou o fechamento da passagem e ameaçou atacar qualquer embarcação que tentasse atravessá-la.
Desde então, ao menos nove navios comerciais foram atingidos na região, segundo informações divulgadas durante a semana. Seis tripulantes morreram.
De acordo com o professor de geopolítica Ronaldo Carmona, da Escola Superior de Guerra, a medida faz parte da estratégia militar do Irã no contexto do conflito.
Segundo ele, o fechamento do estreito busca aumentar a pressão internacional e conter ataques contra o território iraniano.
O Estreito de Ormuz é estratégico para a exportação de petróleo, com cerca de 20% de todo o petróleo transportado no mundo passando pela região.
Cerca de 20% de todo o petróleo transportado no mundo passa pela região, além de entre 20% e 25% do comércio global de gás natural. Grande parte dessa energia segue para países asiáticos como Japão, Coreia do Sul, Índia e China.
Em condições normais, o fluxo de petróleo movimenta entre 300 milhões e 360 milhões de dólares por dia.
Como é a navegação no estreito
Apesar da importância estratégica, a navegação pelo Estreito de Ormuz exige grande precisão.
Navios petroleiros que passam pela região podem transportar até 300 mil toneladas de petróleo em uma única viagem. Por causa do tamanho das embarcações, o tráfego funciona como uma espécie de estrada marítima.
Há uma faixa de navegação para navios que entram no Golfo Pérsico e outra para os que saem, separadas por uma zona de segurança.
Além do espaço limitado, comandantes precisam lidar com correntes marítimas fortes e ventos intensos, que variam ao longo do ano.
Segundo capitães que trabalharam na rota, qualquer desvio da trajetória pode provocar encalhes ou colisões.
O Estreito de Ormuz já foi cenário de conflitos em outros momentos da história. Durante a Guerra do Golfo, em 1991, o regime de Saddam Hussein espalhou cerca de duas mil minas marítimas pelo Golfo Pérsico.
Em situações como essa, o risco principal para os navios é a detonação de explosivos submersos, que podem ser acionados por contato, sensores ou até remotamente.
Especialistas afirmam que a possibilidade de campos minados transforma qualquer travessia na região em uma operação de alto risco.
Escalada militar entre Irã e Estados Unidos
O controle do Estreito de Ormuz está atualmente nas mãos da Guarda Revolucionária iraniana, que utiliza minas, drones e embarcações rápidas como parte da estratégia naval.
Em meio à escalada militar, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que forças americanas destruíram dezenas de embarcações iranianas durante operações recentes.
Na quarta-feira, um submarino de ataque dos Estados Unidos lançou um míssil contra uma fragata iraniana no Oceano Índico, perto da costa do Sri Lanka. A embarcação iraniana havia participado de exercícios militares com a Índia.
Segundo informações divulgadas após o ataque, 87 corpos foram encontrados e 32 pessoas foram resgatadas com vida.
Especialistas destacam que o episódio marca um evento raro na história militar: o afundamento de um navio inimigo por um submarino nuclear, algo que não ocorreu desde a Segunda Guerra Mundial.
Drones e mísseis no centro do conflito
Apesar de ter uma marinha considerada relativamente modesta em comparação com a americana, o Irã aposta em tecnologias assimétricas para compensar a diferença de poder militar.
Entre os principais recursos estão drones de longo alcance e sistemas de mísseis capazes de atingir alvos a centenas de quilômetros de distância.
O Irã já ameaçou fechar o Estreito de Ormuz em outras ocasiões. Em 2019, o país foi acusado de atacar petroleiros na região.
A área concentra algumas das maiores reservas conhecidas de petróleo e gás natural do mundo.
Estreito de Ormuz é estratégico para a exportação de petróleo, com cerca de 20% de todo o petróleo transportado no mundo passando pela região. Grande parte dessa energia segue para países asiáticos como Japão, Coreia do Sul, Índia e China.
De acordo com o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires, a Arábia Saudita — maior exportadora de petróleo do planeta — depende da passagem pelo estreito para escoar grande parte de sua produção.
Por isso, qualquer interrupção prolongada no fluxo de navios pode provocar efeitos diretos na economia global.
Navios aguardam reabertura da rota
Os Estados Unidos afirmaram que podem escoltar petroleiros para garantir a passagem segura pela região. Mesmo assim, o Estreito de Ormuz permanece parcialmente fechado.
Segundo a Organização das Nações Unidas, cerca de 20 mil tripulantes estão a bordo de navios no Golfo Pérsico aguardando a normalização do tráfego marítimo.
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